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Nós não somos pessoas. Somos maníacos que
passam a vida a gozar daqueles que entendem menos de
música do que a gente, que na verdade é todo o mundo.
visitante(s) online
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wSexta-feira, Janeiro 13, 2006 |
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PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS MELHORES DISCOS DE 2005 - A lista do Dick
1. DEVILS & DUST (Bruce Springsteen)
Devils & Dust acaba de vez com a visão forçada, tentativa grosseira de esquematização, de que a sonoridade de Springsteen se divide entre o estilo-Born in the U.S.A. e o estilo-Nebraska: este está entre os dois, transitando exatamente no terreno em que o artista se sente mais confortável: o rock n'roll cru e os contos de uma América desiludida. Entre arranjos mais tradicionalmente pops (All the way home, Long time comin', Maria's bed, All I'm thinking about) e outros extremamente intimistas, em que o Boss toca praticamente todos os instrumentos, as letras são quase todas narrativas de personagens em situações-limite de pobreza e desespero - algumas letras são mesmo escritas em prosa. Creia ou não no cristianismo, em sermos "todos filhos de Deus" e "irmãos em Cristo", capture a mensagem de Jesus was an only son. Mais sexual que Os sonhadores de Bertolucci, mais violento que a Sin City de Frank Miller - se sobrar dúvida, atenção especial para a crudelíssima letra de Reno. Acompanha projeto visual de luxo e um dvdzinho caprichado.
2. DON'T BELIEVE THE TRUTH (Oasis)
Existe muita cosia que se diz e se pode dizer, se escreve e se pode escrever sobre o Oasis. Mas a principal delas é: eles são a melhor banda de rock em atividade no mundo. Ter descentralizado as composições, estratégia que começou com algum sucesso em Heathen Chemistry, foi um grande acerto e o primeiro fruto é ouvido logo na primeira faixa, o Turn up the stars do baixista Andy Bell. O disco começa a penetrar no nosso íntimo logo de cara, e o solo ao final da música desarma qualquer resistência. Liam Gallagher, Gem Archer e o próprio Bell mostram que constroem um repertório com força, mas é claro que a maior força criativa continua sendo Noel Gallagher, pois quem o tem por perto não pode prescindir de seu talento. Noel arrasa em Mucky fingers (a volta da gaita ao arranjos da banda) e, principalmente, em Lyla e The importance of being idle. Tem muita gente fazendo rock por aí, mas quando há lançamento do Oasis, é bom todo mundo parar e ouvir, pra aprender alguma coisa.
3. CANÇÕES DENTRO DA NOITE ESCURA (Lobão)
A importância destas Canções dentro da noite escura não está apenas na sua óbvia qualidade roqueira ou no caráter bissexto dos lançamentos de Lobão. Está em fazer reviver, em parcerias e homenagens, alguns dos mortos precoces do rock brasileiro - Júlio Barroso, Cazuza, Cássia Eller. Além disso, essa noite escura pode representar muito bem a estagnação, a mediocridade, a crise de criatividade que assola nossa produção fonográfica atual. Lobão ataca com um álbum conceitual passado, em suas suas próprias palavras, no "Leblon surreal, impossível" (e me obrigo a dizer que conheço muito bem esse Leblon de que ele fala...). De resto, é reservar uma hora do seu dia, preferencialmente à noite, durante os quais você tenha certeza de que não será incomodado por nada nem ninguém, e mergulhar fundo na solidão das "longas noites do Leblon - olhos, boca, pés e tudo mais, muito acima do chão", como escreveu Dulce Quental uns dez anos atrás.
4. A BIGGER BANG (The Rolling Stones)
Que dizer de um disco que começa: "Once you were a baby chicken / Now you've grown into a fox / Once I was your little rooster / Now I'm just one of yopur cocks! / It's rough justice on ya..."? Estou com o crítico da revista Rolling Stone: A Bigger Bang não é um ótimo disco dos Rolling Stones "considerando a idade deles", ou "em relação aos discos mais recentes". É um damn good disco dos Rolling Stones. E ponto final, e isso já é suficiente para um disco estar em qualquer lista de melhores. Mas o que faz dele tão bom? É o que mais e melhor equilibra rock n'roll com blues com rhythm & blues desde Let it bleed (1969). É o melhor desde então? Talvez não; mas é o que melhor mescla ecletismo com qualidade em 36 anos, com certeza. Se Pete Townshend resumiu a ideologia roqueira com o "morrer antes de envelhecer", os Stones mostram que simplesmente não envelheceram, nem depois de passar dos 60 de idade e 40 de carreira. Continuam compondo, escrevendo e tocando com a mesma energia e bom-humor e espírito sacana de sempre. Rockaços como Rough justice e Oh no, not you again; um blues como há muito não se ouvia, que é Back of my hand; uma balada belíssima, This place is empty; um r&b old-style como Streets of love... e mais a minha atual preferida, Rain fall down, que fala de ilusão e desilusão, distância e intimidade em uma Londres moderna. Nenhuma nenhuma música dispensável (conte os discos de 16 faixas em que todas são muito boas ) e alguns candidatos a clássicos. É claro que eu quero ouvir Gimme shelter, Wild horses, Start me up, Street fighting man e Jumpin' Jack Flash e mais um monte de coisas em fevereiro, mas não me frustraria se eles fizessem um show só centrado em A Bigger Bang.
5. BACK HOME (Eric Clapton)
A primeira impressão foi boa, afinal é um Eric Clapton. Fui ouvindo mais e comecei a achar baladeiro demais. Tanto que foi parar no rádio do meu quarto e eu ouvia um pouquinho pra relaxar, antes de dormir. Até o dia em que descobri que podia fazer ao som dele algo mais interessante que dormir, e Back Home garantiu seu lugar entre os cinco lançamentos que mais marcaram 2005. Ah sim, e é um Dual Disc - tem umas faixas bem produzidas em dvd no verso - e vem com quatro palhetas escritas "EC" de um lado e "Back Home" do outro.
Menções honrosas:
PRAIRIE WIND (Neil Young) - no estilo soft rock, Neil Young também ataca a discussão política atual, fazendo até menção explícita aos atentados de 11 de setembro de 2001.
80 (B.B.King & Friends) - Mais um disco de duetos do Rei do Blues, em comemoração de seus 80 anos. Eric Clapton, Roger Daltrey, Elton John, Van Morrison, Gloria Estefan e, sempre ele, Bobby Bland são algumas presenças marcantes.
BRING 'EM IN (Buddy Guy) - regravação de clássicos do R&B. A voz de Buddy se presta muito bem a esse tipo de projeto, e os contemplados são Curtis Mayfield, Wilson Pickett, Otis Redding, Isaac Hayes e Bob Dylan, Bill Whiters. Tracy Chapman, Keb' Mo', John Mayer, Carlos Santana marcam presença.
IN CITÉ (Lenine) - O show de Lenine no evento "O Ano do Brasil na França" foi registrado neste cd. Algumas inspiradas novas canções dão o tom do álbum: Do it, Vivo, Ninguém faz idéia e a deliciosa Todas elas juntas num só ser.
CHAOS AND CREATION IN THE BACKYARD (Paul McCartney) - Paul não precisa de muito para ser genial. Basta uma pequena coleção de canções e a gente sabe: inconfundível, invencível, insuperável, Macca é o cara.
THAT'S WHAT I SAY (John Scofield) - O simpaticíssimo guitarristra de jazz reúne convidados especiais para esta homenagem póstuma a Ray Charles. Dr. John, John Mayer, Warren Haynes estão entre os colaboradores.
THE WAY UP (Pat Metheny Group) - Apenas um tema, dividido em quatro partes, é o novo trabalho do sempre inovador Pat Metheny Group.
PETRA HADEN SINGS: THE WHO SELL OUT (Petra Haden) - Arranjos criativos e um resultado interessante na regravação desta obra-prima subestimada do The Who.
ABORTO ELÉTRICO (Capital Inicial) - Reeditar os arranjos originais do Aborto Elétrico, banda embrionária do punk brasiliense e, portanto, de tudo o que se fez em rock n'roll no Brasil desde então. O Capital Inicial, que não vinha bem das pernas, se redime nessa tarefa hercúlea e reconta um pouco de sua própria história num disco auto-referencial, mas nunca auto-indulgente.
A TIME TO LOVE (Stevie Wonder), MAGIC TIME (Van Morrison), EVERYTHING'S OK (Al Green) - Três belas coleções de canções r&b, com a marca de qualidade que esses artistas estabeleceram nos anos 60 e 70.
Por
DICK CONDA - Hora: 11:30 AM
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wQuinta-feira, Janeiro 05, 2006 |
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PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS DISCOS QUE FIZERAM NOSSA CABEÇA EM 2005
No ano que passou, o Rob não escreveu um texto sequer, o Dick se dedicou ao zydeco creole* e o Barry tomou ácido. Aqui está a lista dos trabalhos que mais ouvimos no período, para que vocês possam imaginar com que tipo de humor julgaremos os melhores discos de 2005 (a ser publicado na próxima semana):
::Índice::
Barry Town
Rob Flemming
Dick Conda
*zydeco: forma de folk criada pelos creoles franceses do sudoeste da Louisiana, com ritmo extremamente ágil e sincopado, resultante da união da música cajun com as tradições afro-americanas.
A Championship Vinyl também é cultura.
Por
BARRY TOWN - Hora: 1:02 AM
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A lista do Barry:
1. FOREVER CHANGES - Love (1967)
Ignorado na época do seu lançamento, Forever Changes se tornou o opus magnus do Love, uma das melhores bandas de rock da São Francisco dos anos 60. Sua sonoridade, considerada única, representou a maturidade do estilo, com a mais perfeita fusão já realizada entre folk, rock, jazz e música flamenca. Cada faixa do álbum é uma jóia rara, se apoiando numa psicodelia que não encontra paralelos em nenhum outro grupo contemporâneo: ela se sustenta muito mais nas melodias de instrumentos acústicos do que no uso de efeitos sonoros. Orquestrações e trompetes hispânicos ampliam a profundidade das suas harmonias, tornando-as imprevisivelmente belas. Da mesma forma, as letras de Arthur Lee transmitem uma poesia inigualável, com versos repletos de delicadeza, mesmo quando abordam temas como a violência (vide a soberba 'A House Is Not A Motel') e a paranóia (são excepcionais os versos finais de 'The Red Telephone', nos quais Lee declama com suavidade "Eles estão trancando-os hoje / Estão jogando as chaves fora / Eu imagino quem será amanhã / Eu ou você..."). Enfim, Forever Changes reúne, magistralmente, todas as contradições da geração paz-e-amor, combinando mariachis com guitarras, encantamento com revolta, romantismo com desilusão, utopia com niilismo e lisergia com paranóia - tudo de forma tão sublime, que a revista Rolling Stone chegou a descrevê-lo como "indescritivelmente essencial". E, caso o leitor não tenha se convencido, sugiro que ouça 'Andmoreagain', a terceira faixa do disco, música que exemplifica esplendidamente esse grau de provocação e perfeccionismo existente em todo trabalho - até hoje citado nas listas de 10 melhores álbuns de rock todos os tempos. Não foi à toa que Jim Morrison se declarou fã número 1 da banda.
2. DESPERADO - The Eagles (1973)
Engana-se quem pensa que o auge dos Eagles consiste no mega-sucesso de Hotel California. Apesar de ter se tornado o seu disco mais vendido, ele não é, nem de longe, o seu melhor trabalho. Na verdade, assinala, juntamente com a saída do guitarrista Bernie Leadon (o responsável pelo acento mais country das composições), o início da decadência do grupo, após 3 grandes discos lançados (Eagles, Desperado e One Of These Nights). E, dos três, Desperado é o que mais se destaca. Trata-se de um álbum conceitual, que traça um painel dos marginais e párias do Velho Oeste, transformando-os numa metáfora do modo de vida de quem viveu do rock no século XX. E, como não poderia deixar de ser, a estrada desses dois tipos de homens é povoada de solidão, incertezas, porres, medos, pirações, escolhas erradas e mortes prematuras. Para isso, somos apresentados à história de Bill Dalton, numa belíssima abertura, cantada pelo baterista Don Henley: irmão mais novo de dois bandoleiros mortos durante uma tentativa de assalto a banco numa pequena cidade do Kansas - episódio conhecido como o Massacre de Coffeyville - Dalton viveu à sombra da família até conhecer Bill Doolin, com quem formou um dos mais temidos grupos de bandidos da região. As motivações e histórias pessoais de cada um dos seus integrantes - Bitter Creek, Tulsa Jack e Arkansas Tom, entre outros - é contada, através de folks e baladas, em cada uma das suas 11 faixas, incluindo as ótimas 'Tequila Sunrise' (considerada por muitos como uma das canções mais bonitas da banda), '(Whatever Happened To) Saturday Night' (com visível influência de Neil Young) e o magistral encerramento com a reprise 'Doolin-Dalton/Desperado'. Este disco figura, ao lado de Déjà Vu, de Crosby, Stills, Nash & Young, American Beauty, do Grateful Dead, e G.P./Grievous Angel, de Gram Parsons, como um dos grandes marcos do country-rock dos anos 70.
3. ODESSEY AND ORACLE (30th Anniversary Edition) - The Zombies (1968)
Odessey And Oracle figura, ao lado de Pet Sounds e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, como um dos maiores clássicos da psicodelia dos anos 60. Infelizmente, os Zombies não gozaram da mesma fama e reconhecimento que os Beach Boys e os Beatles, tendo vários hits desperdiçados pela sua gravadora, a Decca Records, que lhes deu a oportunidade de gravar somente 2 discos em toda a sua carreira (o primeiro, uma reunião de singles, e o segundo, o próprio Odessey And Oracle). Graças a isso, entraram para a história do rock com uma das bandas mais subestimadas da Invasão Britânica, tendo acabado alguns meses antes do lançamento daquela que veio a se tornar a sua obra-prima. Uma injustiça, levando-se em conta o esmero da sua sonoridade e harmonias, emoldurando composições originalíssimas com cravos, violinos, sopros e todo tipo de seção rítmica que um mellotron é capaz de fazer. 'Time Of The Season', com sua lisergia e excelente linha de baixo soul, explodiu no ano seguinte como uma das canções mais ouvidas nas rádios norte-americanas. Apesar disso, percebe-se, em todo o trabalho, um certo clima de espontaneidade e despojamento, tendo em vista que os integrantes tinham consciência de que aquele seria o seu derradeiro momento juntos. A belíssima capa, por exemplo, foi toda criada por amigos, que também ajudaram no aluguel do estúdio. Na contra-capa, há uma mensagem de Rod Argent, tecladista e fundador da banda, explicando por que eles decidiram se separar. Logo acima, há uma citação a William Shakespeare, que diz: "Não tenha medo / Esta ilha é cheia de ruídos / Sons e doces brisas que deliciam e não ferem / Algumas vezes instrumentos dissonantes ecoarão nos meus ouvidos / E, em alguns casos, até vozes". Enfim, Odessey And Oracle emana uma sinceridade típica de quem sabia que não precisava emplacar mais um sucesso comercial quando o disco viesse à luz do dia. Nesta edição comemorativa, de 30 anos, somos agraciados com 2 versões do álbum, a primeira em mono e a segunda em estéreo (e, realmente, há muita diferença entre ambas), além de versões alternativas de 'A Rose For Emily', 'Time Of The Season' e 'Care Of Cell 44'. Uma verdadeira pérola.
4. SANTANA - Santana (1969)
É triste constatar o quanto que o guitarrista Carlos Santana, ao longo de 3 décadas, se distanciou da originalidade e ousadia dos seus primeiros trabalhos. Na sua fase woodstock, a banda que conduziu ao lado de Gregg Rolie (órgão e vocais), David Brown (baixo), Mike Shrieve (bateria), Jose Areas (percussão) e Mike Carabello (também na percussão) simplesmente revolucionou o rock que se conhecia até então, através de uma apresentação histórica no maior festival de música dos anos 60, juntamente com o lançamento de uma trilogia seminal, composta por este álbum e seus 2 sucessores, Abraxas e Santana III. O grupo, também chamado Santana, conseguiu levar adiante as experimentações que o gigante Miles Davis vinha realizando no jazz, proporcionando a perfeita fusão do estilo não apenas com o rock, mas também com o blues, a música afro-cubana e os ritmos latinos. O resultado, inédito, conseguiu se destacar dentro da abarrotada cena musical de São Francisco, numa época em que pesos-pesados como Jefferson Airplane, Big Brother And The Holding Company, Grateful Dead e Country Joe And The Fish já dominavam amplamente as livres improvisações e a quebra de limites entre os gêneros. O seu reconhecimento foi imediato, tendo vendido mais de 2 milhões de cópias somente nos Estados Unidos, além de permanecer no ranking das 40 obras mais populares por quase 2 anos consecutivos. 'Evil Ways', seu primeiro single de sucesso, exemplifica o tipo de musicalidade que encontramos em todo o álbum: uma sonoridade pulsante, tribal e violenta, como se estivéssemos dançando nus, ao som de congas, atabaques e timbalas, dentro de alguma floresta tropical, debaixo da chuva quente e úmida. Recentemente, este disco foi lançado numa edição remasterizada, contendo 3 faixas-bônus ao vivo, retiradas do show de Woodstock, incluindo a antológica 'Soul Sacrifice', apresentada ao resto do mundo no premiado documentário sobre o festival. Nenhuma coleção de clássicos pretensamente séria estará completa sem esta obra nas suas prateleiras.
5. BUFFALO SPRINGFIELD AGAIN - Buffalo Springfield (1967)
Os Byrds foram a maior banda de folk-rock dos anos 60. E o Buffalo Springfield, a segunda melhor. Os dissidentes de ambas souberam manter o estilo vivo por mais de 30 anos, seja emplacando hit atrás de hit nas paradas de sucesso, seja através da influência que exerceram sobre uma legião de seguidores. Graças a eles, a percepção da população leiga sobre o folk e o country é de que os gêneros continuam em evolução - e constante diálogo com as gerações mais novas do rock - e não fechados em si mesmos. No caso do Buffalo Springfield, isso foi mérito dos seus 3 guitarristas (Stephen Stills, Neil Young e Richie Furay), que continuaram conduzindo uma sólida carreira, tanto individualmente quanto a frente, respectivamente, do Crosby, Stills & Nash (e, ocasionalmente, Young), da Crazy Horse e do Poco. Este álbum é considerado a obra-prima da banda e foi concebido num momento de intensa guerra de egos nos bastidores (principalmente, entre Stephen Stills e Neil Young). O que chama a atenção é que, a despeito da tensão entre os seus integrantes, todos souberam manter um nível de inspiração e profissionalismo ímpar no estúdio, assemelhando-se ao processo com que os Beatles compuseram o ótimo White Album. Ou seja: o que temos é Stephen Stills e a banda, Neil Young e a banda, Richie Furay e a banda... cada qual dando pistas dos passos que seguiria nos seus trabalhos solo. E o resultado é intrigante. Neil Young, por exemplo, contribui com 3 faixas fenomenais: a rolling-stoneana 'Mr. Soul', a delicada e bela 'Expecting To Fly' e a psicodélica 'Broken Arrow' (esta última, surpreendente por se afastar da musicalidade que o deixou consagrado). Difícil dizer qual delas é a melhor. Stephen Stills também não fica para trás, apresentando um excelente bluegrass em 'Bluebird' e um bom rock clássico em 'Rock & Roll Woman'. Richie Furay, por sua vez, estréia aqui como compositor, fornecendo as acústicas 'Child's Claim To Fame' e 'Good Time Boy', ainda que a qualidade das mesmas não se compare a dos seus companheiros. Buffalo Springfield Again, no entanto, permanence sendo um ótimo disco e, certamente, fará a cabeça de quem gosta desses artistas.
Menções Honrosas:
Funhouse - The Stooges (1970)
Moby Grape - Moby Grape (1967)
I-Feel-Like-I'm-Fixin'-To-Die Rag - Country Joe And The Fish (1967)
The Best Of Steve Harley & Cockney Rebel (Centenary Collection) - Steve Harley & Cockney Rebel (1996)
Transit Authority - Chicago (1969)
The Story Of Them Featuring Van Morrison (Duplo) - Them (1997)
Child Is Father To The Man - Blood, Sweat & Tears (1968)
New York Dolls - New York Dolls (1973)
Volunteers - Jefferson Airplane (1969)
Is Spreadind / The Great Conspiracy - Peanut Butter Conspiracy (2000)
Live And Unplugged - Marc Bolan (2001)
Love Is - Eric Burdon & The Animals (1968)
If You Can Believe Your Eyes And Ears - The Mama's And The Papa's (1966)
Live At The Fillmore East (Duplo) - Jimi Hendrix (1999)
The Psychedelic Sounds Of The 13th Floor Elevators - Thirteenth Floor Elevators (1966)
An Old Raincoat Won't Ever Let You Down - Rod Stewart (1969)
Mighty Tight Woman - Sippie Wallace with Otis Spann and the Jim Kweskin Jug Band (94)
The Singles Collection: A's & B's, 1964-1969 - The Zombies (2000)
All The Young Dudes - Mott The Hopple (1972)
Twin Peaks - Mountain (1974)
The Slider - T-Rex (1972)
20th Century Masters - The Millenium Collection: The Best Of Richie Havens - Richie Havens (2000)
Otis Blue / Otis Redding Sings Soul - Otis Redding (1966)
H.P. Lovecraft - H. P. Lovecraft (1967)
Winds Of Change - Eric Burdon & The Animals (1967)
New Riders Of The Purple Sage - The New Riders Of The Purple Sage (1971)
The Last Waltz (Duplo) - The Band (1978)
Recorded Live - Ten Years After (1973)
Stage (Duplo) - David Bowie (1978)
Elvis Country (I'm 10.000 Years Old) - Elvis Presley (1971)
It's A Beautiful Day - It's A Beautiful Day (1969)
John Barleycorn Must Die - Traffic (1970)
The Stooges - The Stooges (1969)
Houses Of The Holy - Led Zeppelin (1973)
Introducing The Beau Brummels - The Beau Brummels (1965)
Hot Tuna - Hot Tuna (1970)
Blood On The Tracks - Bob Dylan (1974)
Song X - Ornette Coleman and Pat Metheny (1985)
Abraxas - Santana (1970)
Too Much Too Soon - New York Dolls (1974)
Streetnoise - Brian Auger, Julie Driscoll & The Trinity (1968)
Marquee Moon - Television (1977)
Their Satanic Majesties Request - The Rolling Stones (1967)
Raw Power - The Stooges (1973)
Crown Of Creation - Jefferson Airplane (1968)
The Healer - John Lee Hooker (1989)
Greatest Hits Live - Fleetwood Mac (1988)
Buffalo Springfield - Buffalo Springfield (1967)
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Por
BARRY TOWN - Hora: 12:54 AM
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wSegunda-feira, Janeiro 02, 2006 |
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A lista do Rob:
1. PEARL JAM - 12-04-2005 - Rio de Janeiro (Bootleg)
Duplo - 2005
A espera foi muito longa. Mas compensou demais. O que se viu no dia 4 de dezembro na Praça da Apoteose foi o que pode-se chamar de catarse coletiva. Quarenta mil pessoas (sendo que pelo menos metade delas vestia uma camisa da banda) cantando em uníssono músicas como Daughter, Better Man, Corduroy e Alive. Eddie Vedder, visivelmente extasiado e emocionado, em vários momentos simplesmente contemplava a platéia que marcava as linhas de baixo e bateria com gritos de "ô-ô-ô" em uma celebração espontânea e sem precedentes. Um show com duas horas e meia de "pontos altos", com o público pulando e cantando todas as músicas em um volume ensurdecedor. E tudo isso terminou com Baba O'Riley, lá pelo terceiro bis, só para confirmar o que a gente já sabia desde que foi confirmada a vinda da banda para o Brasil. Em um ano em que tivemos Stooges, Sonic Youth, Television e Elvis Costello, o melhor show foi o do Pearl Jam. E vai continuar sendo o melhor da minha vida (junto com o do Neil Young) por muito tempo.
2. VÁRIOS - Martin Scorsese presents The Blues - A Musical Journey
5 Cds - 2003
Há um ano o canal GNT dava um presentão de fim de ano para os seus assinantes: a exibição de todos os filmes do projeto The Blues. A série, coordenada por Martin Scorsese, ainda lançou no mercado algumas coletâneas de artistas que são citados nos filmes, entre eles Son House, Eric Clapton e Taj Mahal. Mas dentre esses lançamentos, a grande vedete mesmo é essa caixa. São 5 cds que passeiam pela história do blues com uma seleção impecável, abrangendo desde clássicos como Smokestack Lightinin' de Howlin' Wolf até verdadeiras obscuridades, como St. Louis de WC Handy. Destaque também para a beleza da caixa e para o livro de mais de 60 páginas que a acompanha, com fotos e texto de Martin Scorsese e sobre todas as 116 faixas da compilação. Um verdadeiro parque de diversões para os amantes do Blues, aqueles que sabem exatamente o que Muddy Waters quis dizer com sua famosa frase "the blues is the roots, the rest is the fruits".
3. JOHNNY CASH - American IV: The Man Comes Around
2003
Este é o quarto disco da série American Recordings, que Johnny Cash iniciou em 2003 em parceria com o produtor Rick Rubin, e também o último e mais intenso de sua carreira. Cash sempre se pôs inteiro em sua obra, compondo sobre tragédias pessoais com uma sinceridade violenta. Já bastante doente, começou as gravações de The Man Comes Around, disco repleto de covers em versões sensacionais (assim como toda a série American Recordings), como Personal Jesus, I Hung My Head e especialmente Hurt. Mas é preciso destacar a faixa-título, uma das melhores canções do seu catálogo. A produção de Rick Rubin, que criou para o disco uma atmosfera densa e dramática para a voz soturna de Cash, também merece menção especial.
4. THE FALL - The Complete Peel Sessions (1978-2004)
6 Cds - 2005
Depois da morte do DJ da BBC John Peel no ano passado, muitas das suas célebres Peel Sessions foram postas pela primeira vez em catálogo ou relançadas. O Fall, de quem John Peel era fã incondicional e presença constante no programa, não ficou de fora. Essa caixa reúne transmissões de 1978 a 2004 em ordem cronológica, e como certamente diria o também DJ (outro fã da banda e apresentador do programa Ronca Ronca) Maurício Valladares, é uma "grosseria atrás da outra". Sei que isso já foi dito nesta loja umas mil vezes, mas não custa repetir e frisar: banda nenhuma tem a pegada do The Fall. Ao vivo então nem se fala. Mas o mais impressionante é que sua discografia não pára de crescer, mesmo com dezenas e dezenas de discos lançados desde 1978, algumas vezes dois por ano, e sem perder o poderio bélico dos seus clássicos da década de 80. Longa vida à Mark Smith, mesmo que a gente continue sem entender nada do que ele fala.
5. BOB DYLAN - No Direction Home - The Soundtrack (The Bootleg Series Vol. 7)
Duplo - 2005
Em seu livro Crônicas Vol. I, lançado no Brasil esse ano, Bob Dylan conta sobre a redescoberta de suas próprias músicas, ali por 1975-1976. Esse período, segundo ele, serviu para lhe mostrar que sua performance poderia ser atemporal e adaptável, ganhando novos contornos com algumas simples mudanças nos arranjos. Isso foi fundamental para a retomada de sua motivação de compor e tocar. Esse caráter maleável das composições de Dylan, outrora surpresa até para ele, fica evidente na interpretação por outros artistas, e agora especialmente nessa trilha sonora do sensacional filme de Martin Scorsese. É possível que o ouvinte também redescubra as canções de Dylan, e até passe a gostar mais de algumas delas. O disco, que entrou na série de "bootlegs oficias" do artista, traz alternate takes, demos, faixas raras e inéditas que vão de 1959 até o lançamento de Blonde on Blonde em 1966. E se isso ainda não foi suficiente para que o leitor saia correndo para a loja mais próxima, completa o pacote um encarte de 60 páginas recheado de fotos raras, textos e informações sobre cada música. E é bom não esquecer de comprar o DVD do filme também, mas isso é outra história.
Menções honrosas:
A BAND OF BEES - Free the Bees
AC/DC - Let There Be Rock
ARNALDO BAPTISTA - Loki?
BETTY DAVIS - Nasty Gal
BLOOMFIELD KOOPER STILLS - Super Session
DAVID BOWIE - Stage
DEPECHE MODE - Violator
ELVIS COSTELLO - Live at El Mocambo
ELVIS PRESLEY - Elvis Presley
GREEN DAY - American Idiot
JAMES BROWN - The 50th Anniversary Collection
JIMMY SMITH - Root Down
JOHN LEE HOOKER - Jack O'Diamonds
JOHN MAYALL - 70th Birthday Concert
LOVE - The Forever Changes Concert
MILES DAVIS - Tribute To Jack Johnson
MOBY - Play
MUDDY WATERS - Electric Mud
MUTANTES - Tecnicolor
PAUL MCCARTNEY - Flaming Pie
SCREAMIN' JAY HAWKINS - Voodoo Jive
STEPHEN STILLS - Manassas
TAJ MAHAL - The Natch'l Blues
THE POLICE - Ghost In The Machine
THE SMALL FACES - BBC Sessions
THE VERVE - Urban Hymns
THELONIOUS MONK QUARTET WITH JOHN COLTRANE - At Carnegie Hall
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Por
ROB FLEMMING - Hora: 1:23 PM
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