wChampionship Vinyl
Nós não somos pessoas. Somos maníacos que passam a vida a gozar daqueles que entendem menos de música do que a gente, que na verdade é todo o mundo.

visitante(s) online


wArchives:


-- HOME --



This page is powered by Blogger. Why isn't yours?
wSexta-feira, Dezembro 30, 2005


PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS DISCOS QUE FIZERAM AS NOSSAS CABEÇAS EM 2005 - A lista do Dick


Hawk
1. COLEMAN HAWKINS ENCOUNTERS BEN WEBSTER (Coleman Hawkins & Ben Webster) - Verve Records, 1959

Os dois maiores mestres da história do sax tenor "duelam", quer dizer, somam seus talentos nessa gravação histórica de 1959. É mais um lançamento antológico do período em que o cool jazz atingiu seu ápice - no mesmo ano foi gravado o legendário A kind of blue do Miles Davis Quintet. Como se não bastasse o embate entre os saxofonistas - quem brilharia mais, Ben ou o Hawk? -, em que quem sai ganhando faixa a faixa é o ouvinte, o álbum conta também com o piano suave de Oscar Peterson, a guitarra pontilhada de Herb Ellis, o baixo seguro de Ray Brown e a bateria de Alvin Stoller. É o básico do básico.


2. AMERICAN IV: THE MAN COMES AROUND (Johnny Cash) - Universal, 2002

É o óbvio: um cantor extraordinário e histórico, próximo da morte, dá propsseguimento a um trabalho que com certeza foi extenuante emocionalmente, de selecionar um repertório com o qual encerrar sua brilhante e conturbada trajetória. E é neste canto-do-cisne que Cash atinge sua mais perfeita forma. Apenas três são composições próprias: a ótima faixa-título que abre o disco, e as não menos belas Give my love to Rose e Tear stained letter. As outras doze canções vão do clássico da II Guerra Mundial We'll meet again, de Vera Lynn (qualquer semelhança com The Wall, do Pink Floyd, não é mera coincidência), passa obrigatoriamente pelos Beatles em In my life, pelo pop americano - Paul Simon e Eagles - estão representados pelo som oitentista de Sting e, pasmemos todos, do Depeche Mode. Sem contar, é claro com pérolas do country-folk norte-americano, território de domínio do autor. Destas, a minha preferida é Sam Hall, com sua letra bem-humorada, mas não se deve subestimar a força de uma música de Hank Williams, a melancólica I'm so lonesome I could cry. Destaque-se as participações especiais de Fiona Apple (em Bridge over troubled water, que surpreende por ser em tom baixo, ao contrário da forma como cantava Art Garfunkel) e Don Henley, na sua (e de Glen Frey) Desperado.


3. O (Damien Rice) - Vector, 2003

Quando um amigo meu me emprestou este disco, levei mais de duas semanas para ouvi-lo. Quando finalmente o fiz, nem lembrava mais que ele tinha dito que ali estava a música tema do filme Closer. Esperava algo mais rock n'roll, e me decepcionei um pouco. Estava no carro com uns amigos, e não era o clima certo. Mais tarde, ainda no carro mas sozinho, uma canção me chamou atenção: Eskimo, que é a última. Aí então, já sabendo que era um disco lento, mais sutil, comecei a prestar atenção nos detalhes. E o segredo é esse: Damien Rice é um autor de detalhes e O é um disco de detalhes. Ele exige a atenção constante, e não custa muito ceder. Aí a gente se dá conta da seqüência de músicas belíssimas como Delicate, The Blower's Daughter (a tal do Closer), Cannonball, Amie, Woman Like a Man... até inevitavelmente voltarmos a Eskimo. Recomenda-se, também, a audição das sobras de estúdio, em especial The Professor.


4. DOPSIE STRIKES (Dwayne Dopsie and the Zydeco Hellraisers) - Independente, 2001

Dwayne Dopsie and the Zydeco Hellraisers foi uma das mais obscuras atrações do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival de 2005, uma das mais difíceis de se encontrar informações a respeito antes do festival. A banda fez dois shows incendiários, nos quais é impossível ficar parado. O tal do zydeco, estilo nascido em New Orleans que mescla influências do blues e dos sons da colonização francesa, é irrestivelmente dançante. Este Dopsie strikes é o disco que eles estavam vendendo e autografando por lá, e traz exatamente o espírito da apresentação ao vivo. Os destaques são o líder, acordeonista e vocalista Dwayne Dopsie e o rub-boarder Alex MacDonald. Só o que falta neste álbum alegre, descontraído e divertido, que pode fazer você ficar aos pulos na sala de casa, são os covers célebres apresentados: Love the one you're with, do Stephen Stills, e The thrill is gone, do B.B.King. Para estes, você tinha que ter estado lá para ver, e ouvir.


5. VIVO (Celso Blues Boy) - Polygram, 1991

Até B.B. King reconheceu que Celso Blues Boy estendeu as fronteiras do blues para terras nunca dantes imaginadas por Leroy Carr, Robert Johnson ou Blind Willie McTell. O que os Yardbirds, Rolling Stones, Animals e John Mayall, entre outros, fizeram pela causa blueseira no Reino Unido, Celso fez pela América do Sul. Ele inventou a linguagem blues tropical e deu origem, praticamente sozinho, à enxurrada de grandes valores que hoje em dia lava nossa alma tupiniquim. Neste ano em que assisti a mais dois shows de Celso - ao lado do gaitista Jeferson Gonçalves, ex-Baseado em Blues, banda que sempre prestou tributo ao grande Celso B.B. -, finalmente consegui comprar seu álbum mais importante, que reúne quase todos os seus clássicos em incendiárias versões ao vivo. Estão lá Blues motel; Fumando na escuridão; Amor vazio; Marginal, que na versão de estúdio traz Cazuza nos vocais - detalhe que é sempre lembrado como uma honra por Celso em todos os shows; a balada Sempre brilhará; Damas da noite - adaptação livre da Sweet Jane de Lou Reed; uma versão instrumental da Aquarela do Brasil de Ary Barroso, que demonstra o quanto o blues pode se incorporar à nobilíssima tradição musical brasileira; e, claro, Aumenta que isso aí é rock n'roll, aquela em que todo mundo canta junto e tem o Hino Nacional tocado na guitarra do nosso primeiro e mais ilustre bluesman.


Menções honrosas:
TECNICOLOR - Mutantes
BUCKWHEAT ZYDECO - The Buckwheat Zydeco Story: a 20 year Party
THE COMPLETE VANGUARD RECORDINGS - Big Mama Thornton
BLOOMFIELD KOOPER STILLS - Super Sessions
ECO - Jorge Drexler
TRILHAS SONORAS DOS DOCUMENTÁRIOS DA SÉRIE "The Blues", produzida por Martin Scorsese
GERRY MULLIGAN COMPLETE PACIFIC RECORDINGS WITH CHET BAKER


Por DICK CONDA - Hora: 4:34 PM


wSábado, Dezembro 24, 2005



PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS MELHORES FILMES DE 2005


::Índice::


Barry Town

Dick Conda




Vai comentar? Você que sabe...

Por ROB FLEMMING - Hora: 5:49 PM


wSexta-feira, Dezembro 23, 2005




A lista do Barry:




1. A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER - Direção: Oliver Hirschbiegel (2004)

Conte nos dedos quantos filmes você já viu retratando o período da Segunda Guerra Mundial: não demorará muito para você descobrir que não tem mãos suficientes para isso. Esse é um dos temas mais batidos da história do cinema e já rendeu muitos, mas muitos, clássicos. Por isso, foi surpreendente constatar que A Queda! é uma das maiores e melhores produções já feitas sobre o assunto. Com um adendo importante: aqui, não há o filtro hollywoodiano julgando com parcialidade as motivações e os acontecimentos que se abateram sobre o lado perdedor. Não há protagonistas judeus, tão pouco sinais do exército americano "libertando" o povo europeu. Tudo o que temos é o maior vilão da História, o monstro que marcou com sangue o século XX, assustado e delirante num bunker subterrâneo, enquanto assiste a ruína do império criado para durar mil anos, mas que existiu por somente doze. As cenas apocalípticas da Alemanha em chamas, a ocupação iminente de Berlim pelas tropas soviéticas, o desespero e a insanidade que tomou conta do alto escalão nazista - tudo é retratado de forma realista, sendo historicamente fiel aos relatos de Traudl Junge, secretária particular do führer. Bruno Ganz nos presenteia com uma atuação soberba, encarnando um Adolf Hitler castigado pela derrota e pela doença de Parkinson de maneira tão primorosa que parece impossível que os últimos dias do ditador tenham se passado de maneira diferente. Aliás, toda a cúpula do Reich (Hitler, Goebbels e seus generais mais próximos) são mostrados como realmente eram: meros seres humanos. O roteiro não defende, de forma alguma, os seus ideais, mas causa choque por denunciar a tênue linha existente entre o bem e o mal. Guardamos mais semelhanças com o homem que convencionamos chamar de "o anti-Cristo da sociedade ocidental" do que imaginamos. E, no final das contas, a guerra leva o horror para todos os lados envolvidos. Ninguém está imune, tanto em sofrê-lo quanto em perpetuá-lo.




2. EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA - Direção: Marc Forster (2004)

De todas as histórias infantis, Peter Pan sempre foi a que eu mais gostava quando era criança. No entanto, há muito tempo eu vinha descontente com as adaptações que via para o cinema (das quais, talvez, a mais trágica tenha sido o filme de P. J. Hogan, lançado em 2003). Isso porque, para mim, a essência da fábula residia na mensagem de que era possível alcançar a vitória dos sonhos num mundo cínico; de trazer de volta a criança que todo adulto perde no curso inexorável do tempo. Por isso, a raiva que sentia da maior parte das versões modernas: havia uma tentativa deliberada dos roteiristas de "psicologizar" a trama, dar um caráter sexual às motivações dos personagens (alguns imbecis chegaram, inclusive, a transformar a obra numa metáfora pedófila) e incitar os seus diretores a praticar um exercício autoral de gosto duvidoso, esmigalhando o texto de James Barrie em leituras freudianas no mínimo ridículas. Enfim: tirava-se a imaginação e a inocência de uma peça que falava, justamente, sobre a importância de conservá-las nas nossas vidas. Por isso, a satisfação que tive em assistir esta bela obra, encenada por um Johnny Depp e um Freddie Highmore irrepreensíveis, que, pretendendo revelar "a fábula por trás da fábula", conta como se desenvolveu o processo criativo desse clássico, fruto da imaginação de um homem que só queria dar alegria a uma família de futuro incerto, mas que se tornou vítima da maledicência da sociedade. Em Busca da Terra do Nunca devolve pureza a essa história centenária, a magia ao espetáculo, fazendo-nos voltar a encarar a obra do ponto de vista que realmente importa: o das crianças. Nada tão simples e tão difícil de ser alcançado.




3. SIN CITY - A CIDADE DO PECADO - Direção: Frank Miller, Robert Rodriguez e Quentin Tarantino (2005)

Em Reinventando Os Quadrinhos, obra literária que pinta um painel do impacto das revoluções digitais nessa forma de arte, Scott McCloud cita um episódio interessante, que aconteceu com ele em 1994. O autor estava dando uma olhada num desafio de um jogo de computador, o qual nunca conseguia superar. Foi quando o filho de uma amiga sentou, começou a brincar com o CD-ROM e, em questão de minutos, olhou e disse: "Ei, Scott. Por que você não tentou a porta com a inscrição Não Entre?". Não é necessário dizer que ele nunca havia tentado a tal porta, tudo porque ela dizia 'Não Entre'. Mas isso suscitou uma questão interessante: quantos artistas deixaram de abrir 'n' portas, que poderiam ter levado a novas possibilidades, simplesmente porque se convencionou que este não era o seu trabalho? Ou porque se acreditava que aquela experiência nunca daria certo? O cinema, por exemplo, sempre manifestou esse tipo de preconceito em 3 situações específicas: 1. ao achatar a liberdade de imaginação dos quadrinhos numa linguagem de movimento típica das películas; 2. ao optar por uma narrativa lógica e naturalista, em detrimento da linguagem simbólica (resultante da combinação de "momentos congelados") dos quadrinhos; e 3. ao reduzir a participação do autor da história ao cargo de simples "roteirista" (isso quando os estúdios são muito benevolentes). Daí a importância que Sin City teve nesse contexto. Este foi o primeiro filme que conseguiu desenvolver, de forma plena, o perfeito casamento entre essas duas formas de arte (e não a transposição da história de um veículo para outro). Além disso, foi pioneiro ao utilizar imagens seletas e outros elementos simbólicos com significado crucial para a trama (e não como um mero exercício estilístico). Finalmente, ousou colocar o autor dos quadrinhos, Frank Miller, como co-diretor do filme (e para isso, Robert Rodriguez teve que, literalmente, jogar a sua carteira de cineasta no lixo, pedindo o seu desligamento oficial do Director's Guild Of America, que era contrário à idéia). O resultado, obviamente, poderá não agradar a todos (e, certamente, os avessos à violência detestarão). Mas, mais importante do que isso, está o fato de que uma geração de cineastas acaba de escancarar uma nova porta na qual estava escrito 'Não Entre', em parte com a ajuda do avanço da produção digital. Confesso, nunca imaginei que Robert Rodriguez fosse capaz de uma coisa dessas.




4. OS SONHADORES - Direção: Bernardo Bertolucci (2003)

O filme de Bernardo Bertolucci recupera o que há de melhor no longo currículo do diretor: o erotismo, a tensão sexual, o encarceramento entre quatro paredes, a crítica social e a declaração de amor incondicional ao cinema. Neste caso, Bertolucci utiliza esses ingredientes para contar a história de Matthew (Michael Pitt), um americano freqüentador assíduo da Cinemateca Francesa de Paris, que é seduzido pelos gêmeos Isabelle (Eva Green, um avião para ninguém botar defeito) e Théo (Louis Garrel), em plena eclosão das revoltas estudantis de Maio de 68. Quando os pais dos franceses (que vivem um relacionamento incestuoso entre si) viajam, os três se confinam no seu antigo apartamento, dando início a jogos que testam os limites da sexualidade e conhecimentos cinematográficos. A proposta, inicialmente atraente, vai perdendo progressivamente o seu caráter sedutor, à medida que Mathew vai adentrando na intimidade dos dois e constatando o quanto são imaturos (psicologicamente) e incoerentes (ideologicamente). No final, Bertolucci tece uma crítica feroz ao oba-oba que fazia a cabeça dos seus companheiros esquerdistas, demonstrando como grande parte deles não passava de um bando de alienados: eles apenas defendiam as idéias libertárias da época para aproveitar os aspectos que beneficiavam a si próprios, ou seja, justificar um sistema niilista que lhes proporcionasse prazer incomensurável e ilimitada satisfação individual. Além da excelente trilha sonora (que inclui Jimi Hendrix, Janis Joplin, Steve Miller Band, The Doors e Grateful Dead) e das incendiárias cenas de sexo, outro ponto alto da obra consiste na aparição de filmes antigos intercalando a ação e complementando o desenrolar da história, para o deleite dos cinéfilos mais obstinados. Na maior parte das vezes, são trechos de trabalhos pouco óbvios, como Freaks, de Tod Browning, Bande À Part, de Jean-Luc Godard, Scarface, de Howard Hawks (o original, de 1932) e Shock Corridor, de Samuel Fuller. Em todos os aspectos - dos mais mundanos aos intelectualmente mais elevados - o filme carrega consigo a marca de um gênio.




5. TUDO ACONTECE EM ELIZABETHTOWN - Direção: Cameron Crowe (2005)

Um retrato onírico da vida real. Com situações singelas, personagens caricatos e um certo tom de melancolia, Cameron Crowe nos brinda com a sua melhor obra depois de Quase Famosos. E, novamente, o personagem central da trama é um fracassado, inspirado na sua própria biografia. No caso, um cara que deu prejuízo na empresa que trabalhava, levou um fora da namorada, tentou cometer suicídio e, ainda por cima, recebeu a notícia de que o pai morreu e que tem que pegar o corpo na sua cidadezinha natal, a Elisabethtown do título. Enfim, um sujeito com muitos problemas e nenhuma esperança, igual a qualquer um de nós. A maneira irônica com que redescobre a alegria de estar vivo é o fio condutor da história, que mistura ingredientes de um road movie existencialista com comédia romântica e realismo fantástico. Elizabethtown é o típico lugar do interior onde todo mundo se conhece. Cada ser humano que Drew Baylor (Orlando Bloom) encontra é uma figuraça, parece ser a pessoa mais legal do mundo. Aos poucos, pequenos acontecimentos - na maior parte das vezes, hilários - o fazem perceber como a sua família também é bacana, como a sua mãe é engraçada (Susan Sarandon, ótima) e como a aeromoça com que passa horas conversando no telefone na verdade é uma garota muito interessante (desnecessário dizer que Kirsten Dust defende bem o papel). Segundo o diretor, a idéia do filme surgiu em meio a uma viagem com a esposa, na qual passou por Kentucky, cidade em que seu pai estava enterrado. Confuso com o inesperado retorno, ele passou um tempo na região sozinho, com um carro alugado. Foi assim que criou a história de Drew, que significa para ele a jornada da sua vida. A trilha sonora, como não poderia deixar de ser, é repleta de pérolas pop, com Neil Diamond, Bob Dylan, Tom Petty And The Heartbreakers, The Hollies, Elton John (da época em que fazia coisas que prestavam, há muito tempo atrás) e Lindsey Buckingham (ex-Fleetwood Mac) no setlist, além de uma penca de artistas country obscuros. Como o leitor já deve ter percebido, para entrar na lista de melhores da Championship Vinyl, nem sempre é necessário que o filme seja uma obra revolucionária. Às vezes, basta que seja apenas bem feito.


Menções Honrosas:

QUERIDA WENDY - Thomas Vinterberg (2005)
CASA VAZIA - Kim Ki-Duk (2004)
CRASH - NO LIMITE - Paul Haggis (2004)
HERÓI - Zhang Yimou (2002)
FOME DE VIVER - Tony Scott (1983)
MARCAS DA VIOLÊNCIA - David Cronenberg (2005)
JOGOS MORTAIS - James Wan (2004)
THE CANTERBURY TALES - Pier Paolo Pasolini (1972)
SOY CUBA - Mikhail Kalatozov (1964)
A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE - Tim Burton (2005)
EDUKATORS - Hans Weingartner (2004)
BATMAN BEGINS - Cristopher Nolan (2005)
TEOREMA - Pier Paolo Pasolini (1968)
OLIVER TWIST - Roman Polanski (2005)
UMA VIDA ILUMINADA - Liev Schreiber (2005)
OLDBOY - Chan-Wook Park (2003)
SEGREDOS DE FAMÍLIA - Jordan Roberts (2004)
RAY - Taylor Hackford (2004)
O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS - Zhang Yimou (2004)
STAR WARS III: A VINGANÇA DOS SITH - George Lucas (2005)




Voltar ao índice

Por BARRY TOWN - Hora: 6:23 PM


w




A lista do Dick


Este foi um ano prodigioso em termos de cinema. Preparei esta lista com base em recibos de 35 filmes diferentes a que assisti em 2005. Quantidade não garante qualidade, mas a safra é realmente especial, tanto que separei duas listas de menções honrosas: a primeira é só de filmes tão extraordinários quanto os que constam da lista principal; a segunda é composta de filmes muito bons, mas não tão marcantes.


MELHORES FILMES 2006

1) BATMAN BEGINS (Christopher Nolan)

Não falta nem sobra nada neste que chega junto de "Homem-Aranha 2" como melhor adaptação de quadrinhos já feita para o cinema. Roteiro seguro e preciso, respeitando e valorizando os personagens e o enredo original; direção de arte impecável; atuações brilhantes - como sempre, destaque para Michael Caine, Gary Oldman, Liam Neesom, Morgan Freeman. Christian Bale não chega a se destacar tanto mas é o melhor Bruce Wayne até hoje. A gatinha Katie "Cruise" Holmes não se livra de uns sorrisos marotos e lágrimas à la Dawson's Creek, mas nem assim compromete a obra(-prima).


2) MENINA DE OURO (Clint Eastwood)

Podem chamar de melodramático, mas é genial. Clint Eastwood faz o jogo de pernas, manda um jab de esquerda, maltrata o fígado, prepara o golpe e, quando o oponente se afasta, ele acerta o direto. Ou, em termos cinematográficos: Eastwood produz e dirige e atua de modo brilhante e compõe a bela trilha sonora esse clássico instantâneo que é "Menina de ouro". Numa história que trata de dedicação e obstinação, em que o boxe serve como dolorosa metáfora, cada palavra dita pelos personagens dói mais do que as centenas de socos trocadas em mais de duas horas de filme. Não é à toa que devorou o Oscar deste ano (numa rara decisão de justiça da Academia), como também não é à toa que Morgan Freeman está nos dois títulos que encabeçam esta lista.


3) CINEMA, ASPIRINAS E URUBUS (Marcelo Gomes)

Um filme lento, no qual você percebe a lentidão mas não acha isso chato. Foi o que Marcelo Gomes conseguiu com este filme notável. Road-movie é o homem sair da Alemanha, fugindo do nazismo e da guerra e acabar dirigindo caminhão no sertão do Nordeste brasileiro. Sobre a colisão de dois mundos radicalmente diferentes, sobre o começo de uma grande amizade, sobre sobrevivência. O diretor usa uma luz estourada que realça a aridez, a secura daquele sertão e seu povo, e universaliza uma história familiar, já que o roteiro é baseado nos diários de viagem de seu avô Ranulpho.


4) MARCAS DA VIOLÊNCIA (David Cronemberg)

O cinema brasileiro tem falado muito de violência, pois está espelhando uma realidade social atual. Só que este estado não é exclusivo nosso, e o que David Cronemberg faz neste "A history of violence" (o título em português é meio perdido) não é retratar o nosso caos urbano, e sim investigar as raízes da violência no comportamento humano. Estão lá todas as suas vertentes: o crime organizado, a legítima defesa, a violência física, a das armas de fogo, a psicológica. Tudo o que faz a humanidade retornar aos seus instintos mais primitivos (mas não no sentido Roberto-Jefferson da expressão. "Marcas da violência" reflete sobre a microviolência da mesma forma que "Senhor das armas", também brilhante, reflete sobre a macroviolência.


5) VINICIUS (Miguel Farias Jr.)

A história do século XX no Rio de Janeiro a partir de um de seus mais cariocas representantes. Vinicius é Rio, é música, é literatura, é amor. Enfim, é basicamente, e com muito talento e bom-humor, aquilo de que eu mais preciso pra viver. O filme traz depoimentos esclarecedores, emocionantes, hilários, e números musicais extremamente interessantes. É uma aula de brasileirismo.



Primeiras menções honrosas:

Edukators
Machuca
Sideways - Entre umas e outras
Closer - Perto demais
Sobre café e cigarros
Em busca da Terra do Nunca
Melinda & Melinda
Senhor das armas


Segundas menções honrosas:

Meu tio matou um cara
Quase dois irmãos
O aviador
A queda - As últimas horas de Adolf Hitler
Inconscientes
A fantástica fábrica de chocolates
O coronel e o lobisomem
A noiva-cadáver
Manderlay
Harry Potter e o cálice de fogo
Plano de vôo



Voltar ao índice

Por DICK CONDA - Hora: 6:16 PM


wSábado, Dezembro 17, 2005


COMUNICADO CHAMPIONSHIP VINYL




Listas de melhores do ano, só a partir do dia 23.



Dê a sua contribuição para a nossa caixinha de Natal.

Por BARRY TOWN - Hora: 5:13 PM