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wChampionship Vinyl |
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Nós não somos pessoas. Somos maníacos que
passam a vida a gozar daqueles que entendem menos de
música do que a gente, que na verdade é todo o mundo.
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wTerça-feira, Março 11, 2003 |
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ACENDA OS LUMINOSOS
Talvez a genialidade não esteja em saber mais do que a maioria, mas sim em saber fazer o máximo dentro das suas limitações. Para isso é preciso uma significativa dose de criatividade e sensibilidade. A princípio eu não chamaria o Interpol de genial, até porque eu tenho muito cuidado com esse termo. Nota-se claramente que os integrantes da banda não são instrumentistas sensacionais, tampouco compositores natos. Porém, sou obrigado a reconhecer que diante do que têm capacidade para fazer, o Interpol consegue ser absolutamente genial.
No meio da enxurrada de bandas de Nova Iorque que bebem na fonte do Velvet Underground e do Joy Division, e que acabam fazendo sons muito parecidos entre si, surgiu o Interpol. A banda foi formada no final da década de 90 entre colegas da NYU, mas só lançou seu primeiro LP em 2002, chamado Turn on the Bright Lights. Ouvindo o disco pela primeira vez você sabe e tem certeza que já ouviu muita coisa parecida, mas nada tão bom quanto.
A primeira faixa do disco não possui nome. Apenas serve para mostrar um pouco do que se pode esperar dos próximos 57 minutos. O disco começa de maneira sombria. Guitarras criando um clima angustiante, à la OK Computer. O vocal tremido e inseguro lembrando muito Thom Yorke, fazendo papel coadjuvante. A segunda se chama Obstacle 1, e é uma das melhores do disco. Aqui o Interpol começa a mostrar a que veio. Nesse ponto você já começa a se perguntar se ressucitaram Ian Curtis. O tom solene do vocal, sofrido, quase um pedido de ajuda. A bateria marcando o ritmo de maneira frenética, em total harmonia com o vocal. As guitarras apenas marcando ritmo, de maneira hipnótica. Como no clássico disco Closer do Joy Division, você fica paralisado, tentando entender o que aquele som está fazendo com você e porque ele te faz se sentir estranho, angustiado.
A terceira faixa do álbum lembra bastante Airbag, do Radiohead, onde a guitarra aparece rasgando tudo lá longe, bem no fundo. É uma das músicas mais tristes do disco. No final, enquanto os arranjos crescem de forma catártica, várias vozes surgem citando versos da música, como em um cântico. Não chega a ser comovente, e nem te deixa com lágrimas nos olhos, até por causa do clima solene que a voz do vocalista imprime a canção. Mais uma vez lembro de Ian Curtis, na magnífica Atmosphere, música que me dá uma sensação muito estranha. Há certa dignidade naquele sofrimento. Em NYC o Interpol demonstra otimismo onde menos se espera: "Turn on the bright lights, New York" - ordena.
PDA me lembra muito Hard To Explain, do Strokes, sendo que essa última não tem metade da atmosfera que a canção do Interpol consegue criar. Me faz lembrar mais uma vez de I'm Waiting For The Man, do Velvet Underground, música que sozinha influenciou pelo menos 70% do que foi feito depois dela. PDA é uma música muito simples: marcação da guitarra em uníssono com o baixo, a bateria em marcação acelerada, só acompanhando, assim como o clássico da banda de Lou Reed. A quinta faixa, Say Hello To Angels, é a mais alegrinha do disco. De certa forma lembra Last Nite, do Strokes. Não ficaria espantado se ouvisse essa música tocando em alguma pista de dança por aí. Sua função no disco é nos dar uma pausa para respirar, depois de toda a tensão das primeiras músicas. A próxima é Hands Away, que funciona como uma passagem para a próxima metade do disco. Aqui ela faz mais ou menos o que Treefingers faz em Kid A (guardadas as devidas proporções, claro). A sétima, Obstacle 2, lembra demais Joy Division e não é só pelo vocal, mas também pela guitarra. Econômica, colocada no lugar certo, como em Transmission, pérola da banda de Ian Curtis. O mesmo pode ser dito da sequência que vem a seguir, que já vale cada centavo pago pelo disco: Stella Was a Diver and She Was Always Down, Roland e The New.
A última, Leif Erikson, fecha o disco dando a impressão de algo inacabado. Ela transmite a sensação de estarmos saindo de um longo e escuro túnel, e acaba subitamente, sem um final apoteótico como você é levado a crer.
Vai comentar? Você que sabe...
Por
ROB FLEMMING - Hora: 12:50 PM
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wSegunda-feira, Março 10, 2003 |
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BREVES PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Clouds Taste Metallic - Flaming Lips (1995)
Faz tempo que eu queria ouvir algo do Flaming Lips. Eu só conhecia She Don't Use Jelly, o maior sucesso comercial da banda, mas nem sabia que era deles. É um pouco difícil descrever o som desse álbum, tão insano quanto o nome de suas músicas. Guy Who Got a Headache and Accidentally Saved The World e Psychiatric Explorations of the Fetus With Needles são alguns exemplos. É um belo disco, cheio de lirismo e arranjos sofisticados.
1977 - Ash (1996)
1977 foi o ano em que os integrantes do Ash nasceram, e também quando surgiram as bandas que mais tarde acabariam por influenciá-los, como o Buzzcocks, The Jam, etc. Apesar de ter os ouvidos voltados para o punk do final da década de 70, o Ash casa perfeitamente com o seu próprio tempo, podendo ser facilmente identificado como uma banda do britpop da década de 90.
The Collection - The Fall (1993)
O The Fall foi uma das maiores bandas do movimento punk, e também de toda a década de 80. A banda sempre viveu na obscuridade, mas sempre conservou uma grande gama de fiéis seguidores, tendo em seu líder, Mark E. Smith, uma figura cultuada no cenário underground inglês da época. Acabou influenciando toda a safra posterior de Manchester. Essa compilação abrange alguns dos singles mais importantes, assim como um cover de A Day In The Life. Os vocais de Smith são cheios de insolência e deboche, e chegam a lembrar até Iggy Pop em alguns momentos.
Marquee Moon - Television (1977)
Fica difícil falar de um disco de tamanha importância para sua época sem cair nos mesmo chavões de sempre. Marquee Moon é um disco muito simples. Sua linha de guitarra não agride os ouvidos mais sensíveis como a maioria das bandas do período punk, mas mesmo assim há certa fúria na perfeição dos inúmeros riffs geniais do álbum. O vocal de Tom Verlaine me lembra demais David Byrne, que com certeza ouviu muito Television antes do seu Talking Heads. Merecem destaque a furiosa Friction e a faixa título, que tem 10 minutos de duração. Disco obrigatório.
Pod - Breeders (1990)
Segundo muitos, o melhor disco do Breeders. É também o primeiro da banda da ex-Pixies, Kim Deal. Ainda não ouvi como deveria, mas a primeira impressão que tive é de que trata-se de um disco onde Deal, que compõe a maioria das músicas, tenta se distanciar do Pixies. Mas em algumas faixas é impossível não notar uma certa semelhança, como na penúltima, Lime House.
I Can Hear The Heart Beating As One - Yo La Tengo (1997)
Yo La Tengo é uma boa banda, no entanto pode soar bastante enjoativa se não ouvida nos momentos adequados. O disco é lindo. Catártico, hipnótico, dark, mas tudo na medida certa. Define bem o que foi o rock menos massificado (não vou dizer indie nem alternativo) dos anos 90, com aquelas inúmeras bandas ditas seguidoras do Velvet Underground. Faço apenas uma ressalva: podia ser menos longo.
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ROB FLEMMING - Hora: 6:53 PM
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wDomingo, Março 09, 2003 |
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HINO DA CHAMPIONSHIP VINYL
Todos de pé, por favor.
Main Offender
The Hives
I´m on my way, can´t settle down
Stuck in ways of being an ass
And I´ve got a lot of nerve that I´m ready to pass.
I´m on my way, cant settle down
Stuck in ways of sadistic joy
And my talent only goes as far as to annoy.
THIS IS MY MAIN OFFENDER. THIS IS WHAT I´VE GOT AND IT´S GOT ME SAYING - WHY ME!
I´m on my way, yeah I get around.
Not all to sure about what I do I feel
I´ve got to stop a second just to think it through
And so I STOP!
I´m on my way, yeah I get around.
Thought it all over now I spit it out
And when I spit
I spit on those that I care less about
I´m on my way...
THIS IS MY MAIN OFFENDER. THIS IS WHAT I´VE GOT AND IT´S GOT ME SAYING - WHY ME!
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ROB FLEMMING - Hora: 10:38 AM
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wQuinta-feira, Março 06, 2003 |
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HATE TO SAY THEY TOLD ME SO
Desde que estive na falecida Funhouse há algum tempo e ouvi Hate To Say I Told You So em um volume ensurdecedor, vinha tendo curiosidade em ouvir o badalado disco dos suecos do The Hives. Confesso que cada vez que a MTV tenta me empurrar goela abaixo uma nova banda com o rótulo de "salvação do rock", eu torço o nariz. Quase sempre com razão.
O The Hives, definitivamente, não é salvação de nada. Tenho a impressão inclusive de que os críticos (os indies, principalmente), levam a banda mais a sério do que os próprios integrantes. Ouvindo o disco com um pouco de boa vontade, é possível identificar algumas características louváveis na banda, como o fato de um som tão anti-comercial ser capaz de vender tantas cópias assim, ainda mais nos EUA, acostumados com outros tipos de bandas suecas, como o Roxette e o Abba (argh!). O termo é batido, mas se existe o tal garage-rock, é isso aí. É fácil identificar também algumas bandas que podem ter servido de influência, como Buzzcocks, The Troggs, Stooges... Ou seja, mais energia que talento, mais empolgação que virtuosismo.
Chama atenção também a presença de um cover do rei do soul Curtis Mayfield (Find Another Girl), venerado por 10 entre 10 mods. Somado a isso, o fato de todos os integrantes usarem ternos pode ser um indício de que estejamos diante de uma banda mod? Seria a sombra que aparece no clipe de Hate To Say I Told You So, (que dizem ser do empresário misterioso da banda) do Pete Townshend? Talvez Ronnie Lane?
A formação da banda se deu, pasmem, em 1993. Mas apenas em 1997 lançaram seu primeiro LP, Barely Legal. O segundo álbum só seria lançado em 2000, com o nome de Veni Vidi Vicious. Ajudados pelo sucesso de bandas como White Stripes e Strokes, que conseguiram espaço nas rádios, revistas e TVs dos EUA, o The Hives seguiu em turnê naquele país. Com músicas de ritmo mais que acelerado e um disco de apenas 27 minutos, o The Hives consegue dentro das suas limitações dizer mais que qualquer banda de adolescentes marginais do nu-metal.
Agora, The Vines nem pensar.
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ROB FLEMMING - Hora: 6:49 PM
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wDomingo, Março 02, 2003 |
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O HOTEL DO TROTE IANQUE
Estou aqui com o aclamado disco do Wilco, Yankee Hotel Foxtrot e, francamente, acho que todos enlouqueceram. Não sei explicar que tipo de surto de histeria coletiva fez com que, de repente, todo mundo considerasse este trabalho um dos melhores álbuns de 2002 - ano que, definitivamente, não foi de vacas magras para o rock. Mas fizeram isso e, agora, tenho a obrigação moral de expressar aos meus conterrâneos minha sincera opinião sobre o trabalho, ainda que arrisque ser o único comentarista da Internet a fazê-lo.
O disco começa com a melosa e enjoativa 'I Am Trying To Break Your Heart'. Pelo que pude entender, a letra fala de arrependimento e amores perdidos, alguns dos meus temas preferidos. Só que a música começa mal, com o vocalista Jeff Tweedy gemendo pra burro; sua voz muitas vezes desafina e descarrilha, saindo completamente do ritmo. Faz imaginar como seria a Björk de porre interpretando algum "clássico" grudento do Bryan Adams - o que, diga-se de passagem, não é nada difícil, já que a Björk cantando parece estar quase sempre bêbada.
"I am an American aquarium drinker" é o verso que abre o disco. Tudo bem, eu me amarro em letras com toques dadaístas. Sou grande admirador da doutrina da incomunicabilidade de Tzara e acredito na colagem de palavras como meio de contestação da lógica, mas é preciso ter discernimento para não esgotar este recurso. Quando o Radiohead ordena que cortemos crianças ao meio, isto gera reações de repulsa e estranhamento adequadas a uma música que tem o propósito de nos incomodar, como é o caso de 'Morning Bell' (Kid A / Amnesiac). Sem saber, o ouvinte é tomado por sentimentos inconscientes que dão suporte à idéia central do disco, e isso é genial. Por outro lado, quando se soterra uma letra com versos bestas e palavras pretensiosas, a fórmula acaba se esgotando e o único sentimento despertado é o de puro e simples ódio. É o que acontece comigo quando ouço o Arnaldo Antunes. Infelizmente, este também é o caso do Wilco. Afinal, qual é o propósito de um verso como "take off your band aid cuz I don't believe in touch-downs"? O lirismo é inexistente; a mensagem é ridícula. Seu único propósito é parecer inteligente, soar inovador. Talvez, por isso, a maior parte da crítica tenha caído de amores por eles.
Vejam como uma asneira dessas acaba suscitando uma idiotice de igual ou pior magnitude: um crítico do Scream & Yell declarou, em um texto, que a sua função era "Tentar entender o que um álbum como Yankee Hotel Foxtrot representa não só para a música pop 2002, mas para a política, a economia e a história". Peraí, amigo! Eu adoro inserir trabalhos musicais em contextos artísticos, filosóficos e ideológicos, mas tudo tem um limite. Isso sem falar na importância de validar o que se diz. Este é o problema de boa parte da imprensa musical em nosso país: para eles, não interessa escrever um artigo dizendo se o disco é legal ou não, com que se parece ou quais são suas influências. Não; sua arrogância solene os faz montar uma ditadura de conceitos onde, diariamente, bandas medíocres ganham o status de novos salvadores do rock, simplesmente porque algum bucéfalo presunçoso quis que fosse assim. No caso do Wilco, parece que todas as dificuldades enfrentadas durante as gravações - assunto que comentarei mais adiante - lhes conferiu mérito suficiente para se tornarem os novos queridinhos da mídia. O trabalho, bom, o trabalho é o que menos interessa até porque, como disseram nossos próprios analistas, eles preferem gastar o seu precioso tempo discutindo as conseqüências da banda no cenário geopolítico e econômico mundial - tarefa que, cá com os meus botões, continuo suspeitando que esteja além da capacidade desses indivíduos.
Mas voltemos ao disco, até porque alguém precisa comentá-lo: 'Kamera', a segunda faixa, é uma baladinha calcada no folk. Tem um refrão bem esquisito, composto por uma única frase ("No, it's not o.k.") que não rima com absolutamente nada na canção. O Belle & Sebastian faz músicas assim, com melodias mais cativantes, letras mais contundentes e a vantagem adicional de possuir rimas nos refrões. 'Radio Cure' é medonha. Até a alma de um monge franciscano bracejaria debaixo da monotonia gregoriana entoada por Tweedy. Os arranjos são baixos demais e a simples idéia de aumentar o volume para ouvi-los é pavorosa, já que envolve o risco de ter que suportar o vocal alguns decibéis mais alto. Tamanho suplício só chega ao fim com 'War On War', música que comete a façanha nada incrível de ser mais palatável que a anterior. Sua letra, no entanto, é repleta de clichês como "you could be my demon" ou "you have to learn how to die". Dá até para brincar com alguns versos, que poderiam muito bem servir como títulos bregas para o cinema. Quer ver? '007 - You Have To Learn How To Die'.
Até aí, eu já tinha colocado todo o meu orgulho de lado e passava a fazer preces ao Criador, implorando por forças para poder aturar o que vinha pela frente. Aparentemente fui atendido, pois a música que leva o nome do Seu filho foi a única faixa que realmente valeu a pena. 'Jesus, Etc' tem melodia agradável, letras insípidas e vocais pouco comprometedores. Enfim: paz para os meus ouvidos. Em 'Ashes of American Flags' Tweedy tenta, mais uma vez, pôr suas garras de fora: dá uma desafinada ou outra que, felizmente, não comprometem a canção. Ela poderia, inclusive, estar no primeiro disco de Mellon Collie And The Infinite Sadness, dos extintos Smashing Pumpkins - outra banda de vocais assombrosos, porém com composições inspiradas. Os problemas recomeçam com 'Heavy Metal Drummer' e 'The Man Who Loves You', faixas mais próximas do folk, que têm melodias primárias. Há poucas mudanças de andamento e as músicas lembram, em seus melhores momentos, alguma sobra de composição dos Byrds ou de Roger McGuinn. Em determinada altura de 'The Man Who Loves You', surgem backing vocals que parecem com o Ultraje A Rigor em 'Pelado', mas acho que já é muita viagem minha tentar encontrar alguma conexão pálida entre esses galetos choramingões e as grosserias bem-humoradas de Roger Moreira & Cia. A exemplo de 'Kamera', 'Pot Kettle Black' lembra muito o Belle & Sebastian. Tem até bons arranjos, mas, mesmo assim, não mereceria, nem de perto, figurar entre obras-primas como If You're Feeling Sinister ou The Boy With The Arab Strap. 'Poor Places' deixa-nos novamente sozinhos e desamparados com a voz de Tweedy, acompanhado de um piano preguiçoso e microfonias irritantes, gerando um arremedo de canção cuja única função parece ser prolongar a duração do disco. 'Reservations' encerra o álbum, com um questionamento no mínimo interessante: "how can I convince you (...) not be so indifferent (...)?". Juro que não sei, Tweedy. Tente uma outra banda. Talvez dê certo.
Aqueles que compartilham a minha opinião devem estar se perguntando o que levou os nossos críticos a aclamar obra tão incipiente. Obviamente eles não escutaram o trabalho direito - até porque, como explicou o colunista do Scream & Yell, eles estão mais preocupados com as repercussões do Wilco nas Bolsas de Nova York ou na iminente crise do Iraque. Então, o que os fez nutrir tanta simpatia pela banda? A resposta está numa das melhores campanhas de anti-marketing de todos os tempos.
Junto com o lançamento do CD, foi divulgada, pelos quatro cantos do planeta, a seguinte história: nome com certo peso no mercado do rock alternativo americano, a banda Wilco entregou à sua gravadora, Reprise, o tal Yankee Hotel Foxtrot. Ela o devolveu, pedindo algumas modificações que o tornassem "mais comercial". A banda disse não, saiu da Reprise, comprou a fita do disco pronto, vazou algumas faixas na Internet e fez uma série de shows para divulgar o não-lançamento. O selo Nonesuch (de artistas de vanguarda erudita, como Philip Glass, John Cage e Kronos Quartet, que já editou Caetano Veloso nos EUA) se interessou pelo trabalho, o lançou e obteve o sucesso de crítica e de vendas esperado. E o mais curioso: tanto a Reprise quanto a Nonesuch são parte do gigante AOL Time Warner. Moral da história: a vitória do Wilco sobre este monstro da indústria fonográfica mostrou o absurdo de diretrizes que privilegiam uma Britney Spears a mil Wilco.
Eu também prefiro quinhentos Wilco a uma Britney Spears (mil eu acho demais), a menos que a senhorita Spears resolva gemer no meu ouvido como o Wilco faz. Mas é hora de pararmos de agir como um típico fã descerebrado da Britney e passar a questionar os seguintes pontos: será que faz tanta diferença assim alimentar os executivos da AOL Time Warner com o nosso suado dinheirinho, quer via Reprise, quer via Nonesuch? Será que algum deles se importa com a origem do dinheiro, a ponto de mudar as diretrizes de gravadoras tão grandes e lucrativas? Será que, ao comprarmos o CD do Wilco, não continuamos alimentando os executivos obnubilados da Reprise? Sim, pois basta que a Reprise e a Nonesuch tenham controle acionário cruzado - algo bastante comum nos dias de hoje, aliás - para que os lucros do Wilco sejam divididos entre as duas empresas. Eu gostaria muito que me esclarecessem estes pontos, ao invés de venderem a idéia ingênua de que a compra de um disco do Wilco mudará o aparelho de dominação das grandes gravadoras. Enquanto isso, o meu desconfiômetro permanece ligado com essa história de "vitória" sobre as grandes gravadoras, principalmente quando quem tem interesse em espalhá-la é a parte que, supostamente, saiu perdendo. E você, Sr. Tweedy, por que não continuou divulgando seu material na Internet? Ah sim, claro, o dinheiro... Bem, eu vejo agora mesmo um executivo da AOL Time Warner, até da Reprise talvez, com as mãos cruzadas sob a nuca e as pernas esticadas sobre a mesa, pensando como quase deu mole em perder a grana proporcionada pela venda do disco do senhor.
Vai comentar? Você que sabe...
Por
BARRY TOWN - Hora: 11:07 PM
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wSábado, Março 01, 2003 |
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Marchinha de carnaval da Champ Vinyl:
CARNAVAL NO MISSISSIPI
(Leandro Marc & Pato) // Gravação: Bog Joe Manfra
Eu estava louco, doido pra ficar só
Minha cabeça quase que deu um nó
Mas com certeza não fui eu que disse aquilo
Pra você se ver comigo
Ter me deixado abandonado, num estado lamentável
De um jeito tal
Virei um cara mau
Estou no ponto pronto pra explodir
O meu intento é não voltar a sorrir
Mas dia desses ainda pego meu caminho
Faço vento e vou sozinho
Ter me deixado abandonado
Neste estado lamentável e tal
Virei um cara mau
(refrão)
Fevereiro agora eu vou tar por aí
Já me decidi, vou arrumar minhas malas
Se por um acaso perguntarem por mim
Carnaval que vem eu vou passar
No Mississipi
Meus documentos já mandei emitir
As minhas passagens ainda vou conseguir
De qualquer jeito eu largo tudo, eu faço tudo
Eu vou pro mundo
Ter me deixado abandonado
Neste estado lamentável e tal
Virei um cara mau
(refrão 2x)
No Mississipi
No Mississipi
No Mississipi
No Mississipi
Vai comentar? Você que sabe...
Por
DICK CONDA - Hora: 12:30 AM
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