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Nós não somos pessoas. Somos maníacos que passam a vida a gozar daqueles que entendem menos de música do que a gente, que na verdade é todo o mundo.

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wQuinta-feira, Junho 07, 2007


Acabou mesmo hein!

Por ROB FLEMMING - Hora: 12:04 PM


wTerça-feira, Junho 06, 2006


PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - THE LAST STAND




Aqui jaz a Championship Vinyl.



Deixe as suas condolências.

Por BARRY TOWN - Hora: 8:51 PM


wSegunda-feira, Abril 10, 2006


REMEMBER, REMEMBER, THE 5th OF NOVEMBER...




Outra noite, entrei num pub a caminho de casa e pedi uma Guinness.

Não olhei o relógio, mas sei que ainda não eram oito horas.

Era uma quinta-feira e eu podia ouvir a televisão ao fundo, passando o mais recente episódio de EastEnders - um seriado sobre o dia a dia de trabalhadores alegres e descontraídos em um bairro mítico e decadente de Londres.

Sentei-me a uma mesa e peguei o exemplar de um jornal gratuito que alguém havia largado por lá. Era uma edição que eu já havia lido. Não trazia muitas novidades. Pus o jornal de lado e resolvi me sentar junto ao balcão.

A noite não estava movimentada. Dava para ouvir o murmúrio distante da TV em meio ao burburinho das pessoas no balcão e ao estalar das bolas de bilhar.

Depois de EastEnders, veio Porridge - a reprise de uma sitcom sobre um prisioneiro alegre e descontraído numa prisão vitoriana decadente e, por conveniência, nada opressiva.

Quase imperceptivelmente, escorria bebida dos dosadores de garrafas tombadas atrás do balcão. Gotas de whisky e vodka se formavam e caíam sem alarde diante dos meus olhos.

Terminei meu copo. Ergui a cabeça e o barman notou meu movimento. "Guiness?", indagou ele, já alcançando outro copo limpo. Confirmei com a cabeça.

A mulher do barman chegou e pôs-se a ajudá-lo no atendimento aos clientes que entravam e saíam.

Às 8:30, após Porridge, veio A Question Of Sport - um show de perguntas estrelando celebridades esportivas alegres e descontraídas, respondendo sobre outras celebridades esportivas, muitas das quais também alegres e descontraídas.

Reinou o bom humor.

"Vou avisar ao barman sobre os dosadores vazando", pensei.

O Noticiário das Nove entrou logo depois de A Question Of Sport... ou, pelo menos, 30 segundos antes da televisão ser desligada e ceder lugar à música pop alegre e descontraída.

Olhei pro barman. "Só metade desta vez", disse eu.

Enquanto ele enchia o copo, indaguei-lhe solenemente porque havia desligado justo no noticiário. "Não reclame comigo. Foi a patroa", respondeu num tom alegre e descontraído, enquanto o alvo do seu comentário labutava num canto do balcão.

Os dosadores vazantes deixaram de ter qualquer importância para mim.

Terminei a minha cerveja e parti, quase certo de que a TV continuaria desligada o resto da noite. Afinal, depois do Noticiário das Nove, viria Os Meninos do Brasil, um filme com poucos personagens alegres e descontraídos, que trata de um bando de nazistas criando 94 clones de Adolph Hitler.

Em V de Vingança, também não há muitos personagens alegres e descontraídos; e é pra gente que não desliga na hora do noticiário.


David Lloyd
14 de janeiro de 1990



Vai comentar? Você que sabe...

Por BARRY TOWN - Hora: 12:58 PM


wSegunda-feira, Abril 03, 2006


PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS MELHORES DISCOS DE 2005


A lista do Barry:




1. Devils & Dust (Dual Disc) - Bruce Springsteen

Liricamente denso e musicalmente intimista, Devils & Dust mescla brilhantemente as passagens cinematográficas de Nebraska com o clima auto-referente de Tunnel Of Love. Do primeiro, Bruce Springsteen aproveitou a estrutura do disco, no qual cada canção constitui um pequeno conto sobre perdedores e párias da América. Do segundo, o guitarrista retirou o tom confessional, permitindo que os seus sentimentos fossem expostos à medida que se colocava no lugar dos protagonistas. As faixas, dessa maneira, funcionam como pequenos curtas-metragens. Quando analisadas individualmente, temos a nítida impressão de que a "voz" de Springsteen flui através dos personagens. Reunidas, elas traçam um rico painel de uma sociedade desiludida, que ainda guarda alguns lampejos de esperança. Na última vez em que conduziu um projeto semelhante (The Ghost Of Tom Joad, de 1995), o resultado foi bom, porém um pouco monotonal. Desta vez, o artista não incorre no mesmo erro: os pálidos arranjos foram substituídos pela tríade clássica formada por guitarra, baixo e bateria, ainda que não tenha contado com a participação da E Street Band na gravação. Além disso, backing vocals, trompetes e sintetizadores dão uma mãozinha extra, conferindo diversos estados de humor ao trabalho. Finalmente, Springsteen se empenhou em criar diferentes vocais - em falsetto, meia-voz ou com sotaque sulista - de acordo com o personagem ou história retratada. Tudo isso faz de Devils & Dust um álbum de grande profundidade, com diversas camadas de sentido e subtextos nos contos narrados. Como se não bastasse, o disco oferece um "Lado B" em DVD, com um vídeo no qual o guitarrista apresenta 5 canções tocadas em violão, na escadaria da sua casa. Qualquer semelhança com Nebraska não é mera coincidência.




2. Road To Rouen - Supergrass

Na primeira vez que ouvi I Should Coco, pontapé inicial na carreira do Supergrass, um dos aspectos que mais me fascinou foi a maneira como aqueles jovens bêbados e engraçadinhos revezavam de forma eficaz petardos punks com músicas mais refinadas, de andamento lânguido e melodias cortantes. Para cada canção alegre e contagiante da primeira metade do álbum havia uma contraparte na segunda, mais voltada para a reflexão, a angústia e a nostalgia que permeiam a juventude de cada ser humano. Se, por um lado, éramos seduzidos por hits como 'Caught By The Fuzz' e 'Alright', por outro nos víamos dominados em definitivo por faixas mais introspectivas e soturnas, que captavam com exatidão o lado cinzento dos nossos anos dourados, como 'Time' e 'Sofa (Of My Lethargy)'. E foi justamente a beleza e sensibilidade dessas últimas que fez de I Should Coco um dos discos que mais escutei na minha vida. Passados 10 anos, a trupe investiu pesado nesse lado intimista - que nunca lhe trouxe fama, apesar de onipresente na sua discografia - lançando a sua melhor obra desde o álbum de estréia. Road To Rouen é um trabalho contemplativo, de tom calmo e sereno, com orquestrações minuciosas, que recorrem a instrumentos tradicionais do folclore inglês. Conforme foi dito pela crítica, passa a impressão de trilha sonora ideal para uma viagem de carro na madrugada. Suas passagens instrumentais são um convite à imersão no próprio tempo interior, numa obra coesa, de beleza singular, na qual cada música aponta rumo a uma epifania final. Um belo e contínuo movimento de despertar... para a boa arte.




3. Howl - Black Rebel Motorcycle Club

"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura / morrendo de fome histéricos, nus / arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa". Estas palavras, que abrem o poema Uivo para Carl Solomon, de Allen Ginsberg, poderiam muito bem sintetizar a trajetória da banda de Peter Hayes, Robert Turner e Nick Jago até o momento. Surgido na terceira onda do movimento britpop, o Black Rebel Motorcycle Club se destacou numa época em que os seus representantes davam sinais de esgotamento, com a nossa débil e claudicante crítica musical se dedicando a exaltar nomes mais efêmeros, como os Libertines e os Yeah Yeah Yeahs. Por baixo dos panos, lançou 2 excelentes discos (B.R.M.C., de 2000, e Take Them On, On Your Own, de 2003), que seguiam o melhor da tradição shoegazer. Recebeu elogios por parte de gente de peso, como o guitarrista Noel Gallagher do Oasis, mas não fez metade do estardalhaço dos outros grupos contemporâneos. O talento e inquietude dos seus integrantes, no entanto, os fez desejar algo mais, atraindo-os para as raízes do rock'n roll - o folk, o blues e o gospel - no que talvez tenha sido a mais surpreendente guinada musical de um grupo desde a incursão do Jesus & Mary Chain pelo folk e country em Stoned & Dethroned, de 1994. O resultado soa como uma mistura de Bob Dylan em fase acústica / religiosa nos anos 70 com o rhytm'n blues gótico do Love & Rockets nos anos 80 - ao que conta a ajuda de T-Bone Burnett na produção, o mesmo responsável pelas trilhas sonoras de E Aí Meu Irmão, Cadê Você? dos irmãos Coen, e Johnny e June, biografia de Johnny Cash que se encontra atualmente em cartaz nos cinemas. Surpreendente e bonito de doer, o uivo dos rebeldes negros nasceu como um clássico condenado à eternidade.




4. Siberia - Echo & The Bunnymen

Ao promover um retorno às "raízes", o Echo & The Bunnymen compôs seu melhor trabalho desde Ocean Rain, de 1984. Não que isto tenha significado uma mudança brusca na sua sonoridade: apenas saíram as melodias de apelo mais pop e romântico, que os consagrou nos anos 80, em detrimento de uma assinatura mais voltada para o pós-punk atmosférico de Heaven Up Here, seu disco mais experimental. Talvez, por isso, Ian McCulloch e Will Sergeant tenham deixado a produção novamente nas mãos de Hugh Jones, que havia colaborado com eles no clássico de 1981. McCulloch não alcança os graves e agudos de outrora, mas compensa com ótimas interpretações em baladas de cortar o coração, como 'All Because Of You Days' e 'Stormy Weather'. Will Sergeant, por sua vez, brilha nas guitarras contagiantes de 'Parthenon Drive' e 'Of A Life', imprimindo crescendos e solos extremamente inventivos. Trata-se do tipo de obra que reflete um certo amadurecimento da banda, se tornando mais cativante a cada nova audição. Afinal, apesar de alguns (poucos) desacertos no percurso, o Echo & The Bunnymen continua emanando a mesma inspiração e criatividade que tinha há mais de 20 anos, não desistindo de perseguir uma espécie de glória indefinida, nunca antes alcançada.




5. Get Behind Me Satan - The White Stripes

Eu não faço a menor idéia do que este trabalho quer dizer. Parece uma reunião de pedaços propositalmente desconexos, cuja única finalidade é confundir, perturbar, assombrar o ouvinte. Frases ambíguas (a começar pelo título, que não deixa claro se a banda está evocando ou exorcizando o Diabo) se unem a letras surrealistas, arranjos com estilo retrô, referências bíblicas, batidas de disco-metal, exsangüinação, culto à celebridade, marimbas, revoltas femininas, pianos, orquídeas azuis, violões acústicos, enfermeiras jogando sal em feridas, tamborins, manipulação familiar, fantasmas, baladas românticas, incesto, campainhas, influências country, chuva vermelha, quartos de criança, colheradas de veneno, blues, animais de estimação, explosões de bateria e a presença fantasmagórica de Rita Hayworth em várias canções. Para quem não sabe, Rita Hayworth foi a protagonista de Gilda e se casou com Orson Welles nos anos 40. Orson Welles escreveu, dirigiu e atuou em Cidadão Kane, um dos maiores filmes da história do cinema. O personagem principal de Cidadão Kane é Charles Foster Kane, que Jack White cita em 'The Union Forever', junto a uma vinheta do filme. Só que 'The Union Forever' é uma faixa de White Blood Cells, e não de Get Behind Me Satan. Por isso, conforme eu disse, não faço a menor idéia do que Jack White quis dizer. Só sei que gostei do trabalho. Muito mesmo.


Menções Honrosas:

Canções Dentro Da Noite Escura - Lobão
Don't Believe The Truth - Oasis
Chaos And Creation In The Backyard - Paul McCartney
Live At Earls Court - Morrissey
The Songs Of Janis Joplin All Blues'd Up - Otis Clay, Etta James, Taj Mahal and others
Cold Roses - Ryan Adams & The Cardinals
A Bigger Bang - The Rolling Stones
No Direction Home: The Soundtrack - The Bootleg Series Vol. 7 (Duplo) - Bob
Dylan
The Essential Jefferson Airplane (Duplo) - Jefferson Airplane
Prairie Wind - Neil Young & Crazy Horse
Want Two - Rufus Wainwright
Magic Time - Van Morrison
Playing The Angel - Depeche Mode
Jack O' Diamonds: 1949 Recordings - John Lee Hooker
Man-Made - Teenage Fanclub
Love Kraft - Super Furry Animals
The Songs Of Rolling Stones All Blues'd Up - Otis Clay, Taj Mahal, Alvin Hart, Bobby Womack and others
You Could Have It So Much Better - Franz Ferdinand




Depois da guerra nuclear, só restará a Championship Vinyl e as baratas.

Por BARRY TOWN - Hora: 11:20 PM


wSexta-feira, Março 10, 2006


PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS MELHORES DISCOS DE 2006... OPA! 2005





1. OASIS - Don't Believe The Truth

Só mesmo quem costuma subestimar o Oasis para se surpreender com Don't Believe The Truth. Desde Standing on The Shoulder of Giants a banda já dava sinais de que gravaria em pouco tempo um disco de qualidade equiparável aos seus dois primeiros. E com a nova formação incluindo o fantástico Zak Starkey, só nos resta esperar por um show inesquecível no Brasil esse ano.





2. PAUL WELLER - As Is Now

Já no comecinho do disco em Blink and You Miss It, a guitarra de Paul Weller já te pega pelo pescoço exigindo atenção neste que é o trabalho mais variado de sua carreira solo. Existem ecos de The Jam (Come on / Let's Go) e até Style Council (Bring Back The Funk Pt.1), e outras canções fantásticas que confirmam Weller como um dos maiores compositores britânicos de todos os tempos.





3. HUBERT SUMLIN - About Them Shoes

O ex-guitarrista de Howlin' Wolf dispara um petardo digno do seu antigo patrão. Esse é o melhor disco de blues dos últimos tempos, ao lado do Buddy Guy & Junior Wells - Last Time Around (ao vivo, de 98). E repleto de convidados especiais, entre eles Eric Clapton, James Cotton, Levon Helm e Keith Richards.





4. SUPERGRASS - Road to Rouen

Mais uma prova do talento e da versatilidade do Supergrass que, apesar do notável amadurecimento, não perde nem um pouco do seu espírito jovial dos anos 90. Mesmo este sendo o trabalho mais introspectivo e lo-fi da banda até hoje.





5. BRUCE SPRINGSTEEN - Devils & Dust

É evidente a semelhança desse novo trabalho com álbuns como Nebraska e The Ghost of Tom Joad. A diferença aqui é que musicalmente, este é um disco mais variado que os outros dois. Em Devils & Dust, Springsteen reafirma o seu talento de contador de histórias em mais uma iniciativa de capturar através de sua música os tempos sombrios na América pós 11/9, mas sem o otimismo redentor de The Rising, o trabalho anterior.



Primeiras menções honrosas:

THE RAKES - Capture / Release
LOBÃO - Canções Dentro da Noite Escura
BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB - Howl
PAUL MCCARTNEY - Chaos And Creation In The Backyard
THE FALL - Fall Heads Roll


Demais menções um pouco menos honrosas mas honrosas mesmo assim:

AL GREEN - Everything's Ok
AL KOOPER - Black Coffee
AUDIOSLAVE - Out of Exile
BRITISH SEA POWER - Open Season
BUDDY GUY - Bring'Em In
CHRIS HILLMAN - The Other Side
COWBOY JUNKIES - Early 21st Century Blues
CREAM - Live at The Royal Albert Hall
DEPECHE MODE - Playing The Angel
DR. JOHN - Sippiana Hericane
ECHO & THE BUNNYMEN - Siberia
FRANZ FERDINAND - You Could Have It So Much Better
JOHN CALE - Black Acetate
KASABIAN - Kasabian
LCD SOUNDSYSTEM - LCD Soundsystem
MORRISSEY - Live at Earls Court
NEIL YOUNG - Prairie Wind
NEW ORDER - Waiting For The Siren's Call
PETRA HADEN - Sings The Who Sell Out
RINGO STARR - Choose Love
SOLOMON BURKE - Make Do With What You Got
STEREOPHONICS - Language. Sex. Violence. Other
SUPER FURRY ANIMALS - Love Kraft
THE CORAL - Invisible Invasion
THE EDITORS - Back Room
THE ROLLING STONES - A Bigger Bang
THE TEARS - Here Come the Tears
THE WHITE STRIPES - Get Behind Me Satan
ULTRAJE A RIGOR - Acústico MTV
VAN MORRISON - Magic Time
WEDDING PRESENT - Take Fountain


E ainda (discos com material não exatamente novo):

BOB DYLAN - No Direction Home The Soundtrack (The Bootleg Series Vol. 7)
BRUCE SPRINGSTEEN - Born to Run: 30th Anniversary
ROBERT WYATT - Theatre Royal Drury Lane
THE FALL - The Complete Peel Sessions (1978-2004)



Agora é cada um por si! Liberou geral!

Por ROB FLEMMING - Hora: 10:53 PM


wSexta-feira, Março 03, 2006


PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS DVDs QUE FIZERAM A NOSSA CABEÇA EM 2005 - A lista do Dick





1. THE 70th BIRTHDAY CONCERT (John Mayall & the Bluesbreakers e convidados) (2003)

Quase todos os músicos sobre o palco já tinham feito solos na versão de Have you heard... quando chegou a vez de Eric Clapton. Curto e definitivo. John Mayall, atrás do piano, grita um "Yeaaahh!!". Ao final da música, com um total de 18 minutos, o aniversariante não se contém; visivelmente emocionado, pega do microfone, aproxima-se da platéia e diz: "The blues does not get better than that." E esta é apenas uma das 19 músicas do programa, entre dezenas de momentos memoráveis - Somebody's acting like a child, No big hurry (só Mayall & Clapton no palco, como na velha Bernard Jenkins), Hideaway, All your love (eu queria que toda minha vida fosse com Clapton tocando All your love), e Clapton é apenas um dos convidados ilustres - lá está a versão atual dos Bluesbreakers enriquecida por Mick Taylor e o trombonista pioneiro do blues inglês Chris Barber. Quantas vezes você viu um blues com solo de trombone? Esta é a sua chance, lá em Please Mr Lofton. Obra-prima indispensável para quem gosta de Mayall, de Clapton, de blues, de música.




2. NO DIRECTION HOME (Martin Scorsese) (2005)

Dois mil e cinco foi o ano de Bob Dylan. Saiu o Volume 1 das suas Crônicas, autobiografia não-linear que já é da bibliografia básica de qualquer um que curta e queira entender a cultura pop dos anos 60 pra cá. E também foi o ano musical de Martin Scorsese, com aquela fabulosa série de docmentários sobre blues (desde The Last Waltz (1976) ele não mergulhava tão fundo nesse universo). No meio dessa feliz coincidência surgiu o brilhante e comovente documentário sobre os anos de formação do indivíduo de mais influência no mundo ocidental dos últimos quarenta anos, de Hibbing, Minessota ao palco do Royal Albert Hall londrino. Os depoimentos mais interessantes são os do grupo encontrado por Robert Zimmermann no Greenwich Village nova-iorquino em 1961: Liam Clancy, Dave Von Ronk, Maria Moldour, Joan Baez, e também de Allen Ginsberg e Pete Seeger e por aí vai. Imagens raras, incluindo um longo, minucioso e precioso depoimento do próprio Dylan.




3. SEINFELD - VOLUMES 1 e 2 (Jerry Seinfeld, Jason Alexander, Julia Louis-Dreyfus e Michael Richards) (1990-1992)

Seinfeld não é nem foi uma série de tv. Seinfeld é uma filosofia de vida e é o que eu tenho de mais próximo de uma religião. Então as três primeiras temporadas, saindo quase ao mesmo tempo, em uma edição caprichada e luxuosa de dvd, são para mim o Velho Testamento. Rever os episódios não custa nada; tem sempre um documentário registrando o momento da série; comentários do elenco, diretor e pessoal do staff em episódios-chave; cenas inéditas de stand-up comedy e cenas deletadas dos episódios. Enfim, prato cheio para fãs (e) fiéis se deleitarem em rever e rever.




4. BELEZA AMERICANA (Sam Mendes) (1999)

Neste dvd, o diretor Sam Mendes conta que o momento mais gratificante de ter realizado Beleza americana foi quando Steven Spielberg saiu da sala de projeção e lhe cumprimentou: "Parabéns, você fez um clássico." Eu não sou Spielberg, mas a sensação de quando vi o mesmo filme no cinema foi semelhante. Eu não sou capaz de escrever um texto razoável sobre o filme, muito menos de descrever o efeito que ele tem sobre mim. Como esta é uma loja de discos, não custa lembrar que nele rola Free (All right now), Bob Dylan (All along the watchtower), The Guess Who (American woman), The Who (The seeker, e Pete Townshend é o consultor musical da produção) e Annie Lennox cantando Neil Young (Don't let it bring you down)... Bons extras - comentários de Mendes e do roteirista Alan Ball, os storyboards comentados por Mendes e pelo diretor de fotografia Conrad T. Hall... Você pode até não gostar do filme, mas pra mim é discografia básica.




5. TAXI DRIVER (Martin Scorsese) (1976)

Não tem nada faltando, nada sobrando neste filme extraordinário que consolidou Martin Scorsese como marco do cinema dos anos 70 em diante. E a edição em dvd é digna da grandiosidade da obra: um documentário de alto nível em que todos os principais artistas envolvidos dão depoimentos esclarecedores: Scorsese, o roteirista Paul Schrader, Robert de Niro, Cybill Shepherd, Jodie Foster, Harvey Keitel... e o Peter Boyle... como é engraçado ver o sujeito que estamos acostumados a ver como o pai de Ray em Everybody loves Raymond num filme sério!



Cansamos de esperar!

Por DICK CONDA - Hora: 1:47 PM


wSegunda-feira, Fevereiro 20, 2006


COMUNICADO CHAMPIONSHIP VINYL





Os integrantes desta loja sobreviveram ao show dos Rolling Stones.



Ai de ti, Copacabana...

Por BARRY TOWN - Hora: 9:49 PM


wSexta-feira, Janeiro 13, 2006


PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS MELHORES DISCOS DE 2005 - A lista do Dick




1. DEVILS & DUST (Bruce Springsteen)



Devils & Dust acaba de vez com a visão forçada, tentativa grosseira de esquematização, de que a sonoridade de Springsteen se divide entre o estilo-Born in the U.S.A. e o estilo-Nebraska: este está entre os dois, transitando exatamente no terreno em que o artista se sente mais confortável: o rock n'roll cru e os contos de uma América desiludida. Entre arranjos mais tradicionalmente pops (All the way home, Long time comin', Maria's bed, All I'm thinking about) e outros extremamente intimistas, em que o Boss toca praticamente todos os instrumentos, as letras são quase todas narrativas de personagens em situações-limite de pobreza e desespero - algumas letras são mesmo escritas em prosa. Creia ou não no cristianismo, em sermos "todos filhos de Deus" e "irmãos em Cristo", capture a mensagem de Jesus was an only son. Mais sexual que Os sonhadores de Bertolucci, mais violento que a Sin City de Frank Miller - se sobrar dúvida, atenção especial para a crudelíssima letra de Reno. Acompanha projeto visual de luxo e um dvdzinho caprichado.




2. DON'T BELIEVE THE TRUTH (Oasis)


Existe muita cosia que se diz e se pode dizer, se escreve e se pode escrever sobre o Oasis. Mas a principal delas é: eles são a melhor banda de rock em atividade no mundo. Ter descentralizado as composições, estratégia que começou com algum sucesso em Heathen Chemistry, foi um grande acerto e o primeiro fruto é ouvido logo na primeira faixa, o Turn up the stars do baixista Andy Bell. O disco começa a penetrar no nosso íntimo logo de cara, e o solo ao final da música desarma qualquer resistência. Liam Gallagher, Gem Archer e o próprio Bell mostram que constroem um repertório com força, mas é claro que a maior força criativa continua sendo Noel Gallagher, pois quem o tem por perto não pode prescindir de seu talento. Noel arrasa em Mucky fingers (a volta da gaita ao arranjos da banda) e, principalmente, em Lyla e The importance of being idle. Tem muita gente fazendo rock por aí, mas quando há lançamento do Oasis, é bom todo mundo parar e ouvir, pra aprender alguma coisa.




3. CANÇÕES DENTRO DA NOITE ESCURA (Lobão)


A importância destas Canções dentro da noite escura não está apenas na sua óbvia qualidade roqueira ou no caráter bissexto dos lançamentos de Lobão. Está em fazer reviver, em parcerias e homenagens, alguns dos mortos precoces do rock brasileiro - Júlio Barroso, Cazuza, Cássia Eller. Além disso, essa noite escura pode representar muito bem a estagnação, a mediocridade, a crise de criatividade que assola nossa produção fonográfica atual. Lobão ataca com um álbum conceitual passado, em suas suas próprias palavras, no "Leblon surreal, impossível" (e me obrigo a dizer que conheço muito bem esse Leblon de que ele fala...). De resto, é reservar uma hora do seu dia, preferencialmente à noite, durante os quais você tenha certeza de que não será incomodado por nada nem ninguém, e mergulhar fundo na solidão das "longas noites do Leblon - olhos, boca, pés e tudo mais, muito acima do chão", como escreveu Dulce Quental uns dez anos atrás.




4. A BIGGER BANG (The Rolling Stones)


Que dizer de um disco que começa: "Once you were a baby chicken / Now you've grown into a fox / Once I was your little rooster / Now I'm just one of yopur cocks! / It's rough justice on ya..."? Estou com o crítico da revista Rolling Stone: A Bigger Bang não é um ótimo disco dos Rolling Stones "considerando a idade deles", ou "em relação aos discos mais recentes". É um damn good disco dos Rolling Stones. E ponto final, e isso já é suficiente para um disco estar em qualquer lista de melhores. Mas o que faz dele tão bom? É o que mais e melhor equilibra rock n'roll com blues com rhythm & blues desde Let it bleed (1969). É o melhor desde então? Talvez não; mas é o que melhor mescla ecletismo com qualidade em 36 anos, com certeza. Se Pete Townshend resumiu a ideologia roqueira com o "morrer antes de envelhecer", os Stones mostram que simplesmente não envelheceram, nem depois de passar dos 60 de idade e 40 de carreira. Continuam compondo, escrevendo e tocando com a mesma energia e bom-humor e espírito sacana de sempre. Rockaços como Rough justice e Oh no, not you again; um blues como há muito não se ouvia, que é Back of my hand; uma balada belíssima, This place is empty; um r&b old-style como Streets of love... e mais a minha atual preferida, Rain fall down, que fala de ilusão e desilusão, distância e intimidade em uma Londres moderna. Nenhuma nenhuma música dispensável (conte os discos de 16 faixas em que todas são muito boas ) e alguns candidatos a clássicos. É claro que eu quero ouvir Gimme shelter, Wild horses, Start me up, Street fighting man e Jumpin' Jack Flash e mais um monte de coisas em fevereiro, mas não me frustraria se eles fizessem um show só centrado em A Bigger Bang.




5. BACK HOME (Eric Clapton)

A primeira impressão foi boa, afinal é um Eric Clapton. Fui ouvindo mais e comecei a achar baladeiro demais. Tanto que foi parar no rádio do meu quarto e eu ouvia um pouquinho pra relaxar, antes de dormir. Até o dia em que descobri que podia fazer ao som dele algo mais interessante que dormir, e Back Home garantiu seu lugar entre os cinco lançamentos que mais marcaram 2005. Ah sim, e é um Dual Disc - tem umas faixas bem produzidas em dvd no verso - e vem com quatro palhetas escritas "EC" de um lado e "Back Home" do outro.



Menções honrosas:

PRAIRIE WIND (Neil Young) - no estilo soft rock, Neil Young também ataca a discussão política atual, fazendo até menção explícita aos atentados de 11 de setembro de 2001.

80 (B.B.King & Friends) - Mais um disco de duetos do Rei do Blues, em comemoração de seus 80 anos. Eric Clapton, Roger Daltrey, Elton John, Van Morrison, Gloria Estefan e, sempre ele, Bobby Bland são algumas presenças marcantes.

BRING 'EM IN (Buddy Guy) - regravação de clássicos do R&B. A voz de Buddy se presta muito bem a esse tipo de projeto, e os contemplados são Curtis Mayfield, Wilson Pickett, Otis Redding, Isaac Hayes e Bob Dylan, Bill Whiters. Tracy Chapman, Keb' Mo', John Mayer, Carlos Santana marcam presença.

IN CITÉ (Lenine) - O show de Lenine no evento "O Ano do Brasil na França" foi registrado neste cd. Algumas inspiradas novas canções dão o tom do álbum: Do it, Vivo, Ninguém faz idéia e a deliciosa Todas elas juntas num só ser.

CHAOS AND CREATION IN THE BACKYARD (Paul McCartney) - Paul não precisa de muito para ser genial. Basta uma pequena coleção de canções e a gente sabe: inconfundível, invencível, insuperável, Macca é o cara.

THAT'S WHAT I SAY (John Scofield) - O simpaticíssimo guitarristra de jazz reúne convidados especiais para esta homenagem póstuma a Ray Charles. Dr. John, John Mayer, Warren Haynes estão entre os colaboradores.

THE WAY UP (Pat Metheny Group) - Apenas um tema, dividido em quatro partes, é o novo trabalho do sempre inovador Pat Metheny Group.

PETRA HADEN SINGS: THE WHO SELL OUT (Petra Haden) - Arranjos criativos e um resultado interessante na regravação desta obra-prima subestimada do The Who.

ABORTO ELÉTRICO (Capital Inicial) - Reeditar os arranjos originais do Aborto Elétrico, banda embrionária do punk brasiliense e, portanto, de tudo o que se fez em rock n'roll no Brasil desde então. O Capital Inicial, que não vinha bem das pernas, se redime nessa tarefa hercúlea e reconta um pouco de sua própria história num disco auto-referencial, mas nunca auto-indulgente.

A TIME TO LOVE (Stevie Wonder), MAGIC TIME (Van Morrison), EVERYTHING'S OK (Al Green) - Três belas coleções de canções r&b, com a marca de qualidade que esses artistas estabeleceram nos anos 60 e 70.

MEZMERIZE (System of a Down), FUSED (Glenn Hughes & Toni Iommi) - Inspirados canções heavy-metal, uma em estilo mais modern, combativo, político (do SoaD), outra mais clássica e sem jamais apelar pra farofada, como é típico desta dupla de dinossauros Iommi e Hughes.



Por DICK CONDA - Hora: 11:30 AM


wQuinta-feira, Janeiro 05, 2006



PLANTÃO CHAMPIONSHIP VINYL - OS DISCOS QUE FIZERAM NOSSA CABEÇA EM 2005


No ano que passou, o Rob não escreveu um texto sequer, o Dick se dedicou ao zydeco creole* e o Barry tomou ácido. Aqui está a lista dos trabalhos que mais ouvimos no período, para que vocês possam imaginar com que tipo de humor julgaremos os melhores discos de 2005 (a ser publicado na próxima semana):


::Índice::

Barry Town

Rob Flemming

Dick Conda



*zydeco: forma de folk criada pelos creoles franceses do sudoeste da Louisiana, com ritmo extremamente ágil e sincopado, resultante da união da música cajun com as tradições afro-americanas.



A Championship Vinyl também é cultura.

Por BARRY TOWN - Hora: 1:02 AM


w



A lista do Barry:





1. FOREVER CHANGES - Love (1967)

Ignorado na época do seu lançamento, Forever Changes se tornou o opus magnus do Love, uma das melhores bandas de rock da São Francisco dos anos 60. Sua sonoridade, considerada única, representou a maturidade do estilo, com a mais perfeita fusão já realizada entre folk, rock, jazz e música flamenca. Cada faixa do álbum é uma jóia rara, se apoiando numa psicodelia que não encontra paralelos em nenhum outro grupo contemporâneo: ela se sustenta muito mais nas melodias de instrumentos acústicos do que no uso de efeitos sonoros. Orquestrações e trompetes hispânicos ampliam a profundidade das suas harmonias, tornando-as imprevisivelmente belas. Da mesma forma, as letras de Arthur Lee transmitem uma poesia inigualável, com versos repletos de delicadeza, mesmo quando abordam temas como a violência (vide a soberba 'A House Is Not A Motel') e a paranóia (são excepcionais os versos finais de 'The Red Telephone', nos quais Lee declama com suavidade "Eles estão trancando-os hoje / Estão jogando as chaves fora / Eu imagino quem será amanhã / Eu ou você..."). Enfim, Forever Changes reúne, magistralmente, todas as contradições da geração paz-e-amor, combinando mariachis com guitarras, encantamento com revolta, romantismo com desilusão, utopia com niilismo e lisergia com paranóia - tudo de forma tão sublime, que a revista Rolling Stone chegou a descrevê-lo como "indescritivelmente essencial". E, caso o leitor não tenha se convencido, sugiro que ouça 'Andmoreagain', a terceira faixa do disco, música que exemplifica esplendidamente esse grau de provocação e perfeccionismo existente em todo trabalho - até hoje citado nas listas de 10 melhores álbuns de rock todos os tempos. Não foi à toa que Jim Morrison se declarou fã número 1 da banda.




2. DESPERADO - The Eagles (1973)

Engana-se quem pensa que o auge dos Eagles consiste no mega-sucesso de Hotel California. Apesar de ter se tornado o seu disco mais vendido, ele não é, nem de longe, o seu melhor trabalho. Na verdade, assinala, juntamente com a saída do guitarrista Bernie Leadon (o responsável pelo acento mais country das composições), o início da decadência do grupo, após 3 grandes discos lançados (Eagles, Desperado e One Of These Nights). E, dos três, Desperado é o que mais se destaca. Trata-se de um álbum conceitual, que traça um painel dos marginais e párias do Velho Oeste, transformando-os numa metáfora do modo de vida de quem viveu do rock no século XX. E, como não poderia deixar de ser, a estrada desses dois tipos de homens é povoada de solidão, incertezas, porres, medos, pirações, escolhas erradas e mortes prematuras. Para isso, somos apresentados à história de Bill Dalton, numa belíssima abertura, cantada pelo baterista Don Henley: irmão mais novo de dois bandoleiros mortos durante uma tentativa de assalto a banco numa pequena cidade do Kansas - episódio conhecido como o Massacre de Coffeyville - Dalton viveu à sombra da família até conhecer Bill Doolin, com quem formou um dos mais temidos grupos de bandidos da região. As motivações e histórias pessoais de cada um dos seus integrantes - Bitter Creek, Tulsa Jack e Arkansas Tom, entre outros - é contada, através de folks e baladas, em cada uma das suas 11 faixas, incluindo as ótimas 'Tequila Sunrise' (considerada por muitos como uma das canções mais bonitas da banda), '(Whatever Happened To) Saturday Night' (com visível influência de Neil Young) e o magistral encerramento com a reprise 'Doolin-Dalton/Desperado'. Este disco figura, ao lado de Déjà Vu, de Crosby, Stills, Nash & Young, American Beauty, do Grateful Dead, e G.P./Grievous Angel, de Gram Parsons, como um dos grandes marcos do country-rock dos anos 70.




3. ODESSEY AND ORACLE (30th Anniversary Edition) - The Zombies (1968)

Odessey And Oracle figura, ao lado de Pet Sounds e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, como um dos maiores clássicos da psicodelia dos anos 60. Infelizmente, os Zombies não gozaram da mesma fama e reconhecimento que os Beach Boys e os Beatles, tendo vários hits desperdiçados pela sua gravadora, a Decca Records, que lhes deu a oportunidade de gravar somente 2 discos em toda a sua carreira (o primeiro, uma reunião de singles, e o segundo, o próprio Odessey And Oracle). Graças a isso, entraram para a história do rock com uma das bandas mais subestimadas da Invasão Britânica, tendo acabado alguns meses antes do lançamento daquela que veio a se tornar a sua obra-prima. Uma injustiça, levando-se em conta o esmero da sua sonoridade e harmonias, emoldurando composições originalíssimas com cravos, violinos, sopros e todo tipo de seção rítmica que um mellotron é capaz de fazer. 'Time Of The Season', com sua lisergia e excelente linha de baixo soul, explodiu no ano seguinte como uma das canções mais ouvidas nas rádios norte-americanas. Apesar disso, percebe-se, em todo o trabalho, um certo clima de espontaneidade e despojamento, tendo em vista que os integrantes tinham consciência de que aquele seria o seu derradeiro momento juntos. A belíssima capa, por exemplo, foi toda criada por amigos, que também ajudaram no aluguel do estúdio. Na contra-capa, há uma mensagem de Rod Argent, tecladista e fundador da banda, explicando por que eles decidiram se separar. Logo acima, há uma citação a William Shakespeare, que diz: "Não tenha medo / Esta ilha é cheia de ruídos / Sons e doces brisas que deliciam e não ferem / Algumas vezes instrumentos dissonantes ecoarão nos meus ouvidos / E, em alguns casos, até vozes". Enfim, Odessey And Oracle emana uma sinceridade típica de quem sabia que não precisava emplacar mais um sucesso comercial quando o disco viesse à luz do dia. Nesta edição comemorativa, de 30 anos, somos agraciados com 2 versões do álbum, a primeira em mono e a segunda em estéreo (e, realmente, há muita diferença entre ambas), além de versões alternativas de 'A Rose For Emily', 'Time Of The Season' e 'Care Of Cell 44'. Uma verdadeira pérola.




4. SANTANA - Santana (1969)

É triste constatar o quanto que o guitarrista Carlos Santana, ao longo de 3 décadas, se distanciou da originalidade e ousadia dos seus primeiros trabalhos. Na sua fase woodstock, a banda que conduziu ao lado de Gregg Rolie (órgão e vocais), David Brown (baixo), Mike Shrieve (bateria), Jose Areas (percussão) e Mike Carabello (também na percussão) simplesmente revolucionou o rock que se conhecia até então, através de uma apresentação histórica no maior festival de música dos anos 60, juntamente com o lançamento de uma trilogia seminal, composta por este álbum e seus 2 sucessores, Abraxas e Santana III. O grupo, também chamado Santana, conseguiu levar adiante as experimentações que o gigante Miles Davis vinha realizando no jazz, proporcionando a perfeita fusão do estilo não apenas com o rock, mas também com o blues, a música afro-cubana e os ritmos latinos. O resultado, inédito, conseguiu se destacar dentro da abarrotada cena musical de São Francisco, numa época em que pesos-pesados como Jefferson Airplane, Big Brother And The Holding Company, Grateful Dead e Country Joe And The Fish já dominavam amplamente as livres improvisações e a quebra de limites entre os gêneros. O seu reconhecimento foi imediato, tendo vendido mais de 2 milhões de cópias somente nos Estados Unidos, além de permanecer no ranking das 40 obras mais populares por quase 2 anos consecutivos. 'Evil Ways', seu primeiro single de sucesso, exemplifica o tipo de musicalidade que encontramos em todo o álbum: uma sonoridade pulsante, tribal e violenta, como se estivéssemos dançando nus, ao som de congas, atabaques e timbalas, dentro de alguma floresta tropical, debaixo da chuva quente e úmida. Recentemente, este disco foi lançado numa edição remasterizada, contendo 3 faixas-bônus ao vivo, retiradas do show de Woodstock, incluindo a antológica 'Soul Sacrifice', apresentada ao resto do mundo no premiado documentário sobre o festival. Nenhuma coleção de clássicos pretensamente séria estará completa sem esta obra nas suas prateleiras.




5. BUFFALO SPRINGFIELD AGAIN - Buffalo Springfield (1967)

Os Byrds foram a maior banda de folk-rock dos anos 60. E o Buffalo Springfield, a segunda melhor. Os dissidentes de ambas souberam manter o estilo vivo por mais de 30 anos, seja emplacando hit atrás de hit nas paradas de sucesso, seja através da influência que exerceram sobre uma legião de seguidores. Graças a eles, a percepção da população leiga sobre o folk e o country é de que os gêneros continuam em evolução - e constante diálogo com as gerações mais novas do rock - e não fechados em si mesmos. No caso do Buffalo Springfield, isso foi mérito dos seus 3 guitarristas (Stephen Stills, Neil Young e Richie Furay), que continuaram conduzindo uma sólida carreira, tanto individualmente quanto a frente, respectivamente, do Crosby, Stills & Nash (e, ocasionalmente, Young), da Crazy Horse e do Poco. Este álbum é considerado a obra-prima da banda e foi concebido num momento de intensa guerra de egos nos bastidores (principalmente, entre Stephen Stills e Neil Young). O que chama a atenção é que, a despeito da tensão entre os seus integrantes, todos souberam manter um nível de inspiração e profissionalismo ímpar no estúdio, assemelhando-se ao processo com que os Beatles compuseram o ótimo White Album. Ou seja: o que temos é Stephen Stills e a banda, Neil Young e a banda, Richie Furay e a banda... cada qual dando pistas dos passos que seguiria nos seus trabalhos solo. E o resultado é intrigante. Neil Young, por exemplo, contribui com 3 faixas fenomenais: a rolling-stoneana 'Mr. Soul', a delicada e bela 'Expecting To Fly' e a psicodélica 'Broken Arrow' (esta última, surpreendente por se afastar da musicalidade que o deixou consagrado). Difícil dizer qual delas é a melhor. Stephen Stills também não fica para trás, apresentando um excelente bluegrass em 'Bluebird' e um bom rock clássico em 'Rock & Roll Woman'. Richie Furay, por sua vez, estréia aqui como compositor, fornecendo as acústicas 'Child's Claim To Fame' e 'Good Time Boy', ainda que a qualidade das mesmas não se compare a dos seus companheiros. Buffalo Springfield Again, no entanto, permanence sendo um ótimo disco e, certamente, fará a cabeça de quem gosta desses artistas.


Menções Honrosas:

Funhouse - The Stooges (1970)
Moby Grape - Moby Grape (1967)
I-Feel-Like-I'm-Fixin'-To-Die Rag - Country Joe And The Fish (1967)
The Best Of Steve Harley & Cockney Rebel (Centenary Collection) - Steve Harley & Cockney Rebel (1996)
Transit Authority - Chicago (1969)
The Story Of Them Featuring Van Morrison (Duplo) - Them (1997)
Child Is Father To The Man - Blood, Sweat & Tears (1968)
New York Dolls - New York Dolls (1973)
Volunteers - Jefferson Airplane (1969)
Is Spreadind / The Great Conspiracy - Peanut Butter Conspiracy (2000)
Live And Unplugged - Marc Bolan (2001)
Love Is - Eric Burdon & The Animals (1968)
If You Can Believe Your Eyes And Ears - The Mama's And The Papa's (1966)
Live At The Fillmore East (Duplo) - Jimi Hendrix (1999)
The Psychedelic Sounds Of The 13th Floor Elevators - Thirteenth Floor Elevators (1966)
An Old Raincoat Won't Ever Let You Down - Rod Stewart (1969)
Mighty Tight Woman - Sippie Wallace with Otis Spann and the Jim Kweskin Jug Band (94)
The Singles Collection: A's & B's, 1964-1969 - The Zombies (2000)
All The Young Dudes - Mott The Hopple (1972)
Twin Peaks - Mountain (1974)
The Slider - T-Rex (1972)
20th Century Masters - The Millenium Collection: The Best Of Richie Havens - Richie Havens (2000)
Otis Blue / Otis Redding Sings Soul - Otis Redding (1966)
H.P. Lovecraft - H. P. Lovecraft (1967)
Winds Of Change - Eric Burdon & The Animals (1967)
New Riders Of The Purple Sage - The New Riders Of The Purple Sage (1971)
The Last Waltz (Duplo) - The Band (1978)
Recorded Live - Ten Years After (1973)
Stage (Duplo) - David Bowie (1978)
Elvis Country (I'm 10.000 Years Old) - Elvis Presley (1971)
It's A Beautiful Day - It's A Beautiful Day (1969)
John Barleycorn Must Die - Traffic (1970)
The Stooges - The Stooges (1969)
Houses Of The Holy - Led Zeppelin (1973)
Introducing The Beau Brummels - The Beau Brummels (1965)
Hot Tuna - Hot Tuna (1970)
Blood On The Tracks - Bob Dylan (1974)
Song X - Ornette Coleman and Pat Metheny (1985)
Abraxas - Santana (1970)
Too Much Too Soon - New York Dolls (1974)
Streetnoise - Brian Auger, Julie Driscoll & The Trinity (1968)
Marquee Moon - Television (1977)
Their Satanic Majesties Request - The Rolling Stones (1967)
Raw Power - The Stooges (1973)
Crown Of Creation - Jefferson Airplane (1968)
The Healer - John Lee Hooker (1989)
Greatest Hits Live - Fleetwood Mac (1988)
Buffalo Springfield - Buffalo Springfield (1967)




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Por BARRY TOWN - Hora: 12:54 AM